“Fiz inseminação, coito, FIV… Era tanta ansiedade que achava que iria enlouquecer. Mas estou grávida de gêmeos”

“Resolvemos engravidar em 2014, quando eu tinha 34 anos. Uma amiga que começou junto comigo conseguiu em 2 meses e eu fiquei chupando o dedo. Logo em seguida, outra amiga… e eu, nada. Em 2015, a ansiedade de não engravidar e de estudar para concursos me trouxe uma crise severa de fibromialgia. Foi um ano perdido.

Em janeiro de 2016 fui a uma ginecologista e passei a tarde na espera ao lado de grávidas. Entrei no consultório aos prantos. Descobri que tinha um pólipo e a médica me encaminhou a um especialista em infertilidade. Acabei fazendo uma histeroscopia em maio. Depois disso fizemos a contagem dos folículos antrais e graças a Deus minha reserva ovariana ainda era boa (entenda aqui). Também fiz uma histerossalpingografia, que indicava normalidade.

No primeiro controle de ovulação, tive indícios de hiperplasia endometrial. Em agosto, fiz uma curetagem semiótica e graças a Deus o endométrio ficou ótimo. Após tudo isso o médico diagnosticou o nosso caso como Infertilidade sem Causa Aparente (ISCA).

Em outubro, fizemos uma inseminação. Tinha quatro folículos lindos, mas comecei a ter escapes dois dias antes do Beta HCG. Foi aquele chororô. O médico ficou arrasado e propôs que fizéssemos um ciclo de coito programado. Negativo novamente. A essa altura eu já vinha de um desgaste emocional enorme: tinha 14 conhecidas grávidas! Era uma notícia de gravidez por semana. Eu achava que iria enlouquecer de tanta ansiedade. Não conto os dias e as noites que chorei na cama. Já me revoltei muito com Deus.

Eu sabia que tinha algo errado, mas o quê? Os meus exames eram normais! Marquei a consulta com o médico de uma amiga e depois que ele analisou meus exames, veio o diagnóstico: trompas altas e com aderências. Não poderia engravidar naturalmente nem por inseminação! E o pior: o laudo da histerossalpingografia estava errado. O radiologista atestou a normalidade em razão da falta de obstrução, mas meu médico detectou o problema pela imagem do exame, já que as trompas não se moviam. Tirei o mundo das costas porque agora sabia o que tinha e que meu caminho era fazer uma FIV.

Nessa fase, tinha tanta certeza de que ia engravidar que eu pouco rezava. Foi aí que caí do cavalo. Tive hiperestimulação. Foram nove óvulos e apenas quatro fertilizaram, resultando em embriões cheios de fragmentação. Mesmo assim decidimos congelar e, no mês seguinte, preparar o endométrio para a transferência.

No dia da transferência o médico falou que dois embriões tinham morrido no descongelamento e os outros dois haviam parado de evoluir. Perdemos o chão. Transferi por insistência do meu marido, mas comecei a ter escapes três dias depois. Passei uma semana chorando e veio o negativo. Resolvi reunir forças e mudar meu estilo de vida.

Pesquisei bastante e mandei manipular em farmácia a coenzima Q10, cortei doces, embutidos, enlatados e refrigerantes. Caprichei na água e comia de três a quatro castanhas-do-pará por dia. O médico sugeriu, então, que fizéssemos outra FIV até setembro, porque as chances seriam maiores. Uma semana depois, comecei a indução e tomei muitos medicamentos para aumentar as chances de sucesso. Imaginem a minha ansiedade e a minha angústia pensando nesses embriões? Eu estava confiante, mas sou humana, né? Tive muito medo. Dos dez óvulos aspirados, cinco fertilizaram. Quando cheguei pra transferir os embriões, estava em pânico. Mas deu certo: eu tinha um blastocisto e um embrião cavitando, ou seja, quase um blasto. Transferimos os dois.

Usei meias nos pés na transferência e nos dias seguintes. É uma orientação da medicina oriental, sabe? No outro dia, viemos embora para casa de ônibus: eram 13 horas de estrada. Dias depois, começou um escape forte e tive uma crise de choro.

No dia do beta, acordei nervosa. Ao chegar no laboratório pra colher, a moça perguntou quantos dias de atraso. Falei que não tinha porque era FIV e caí no choro. Não fui trabalhar de tarde de tanta ansiedade e meu marido me ligou aos prantos: ele tinha visto o resultado e eu estava grávida. Tive que ficar de repouso absoluto até sumir esse escape, que durou até a 9ª semana. O médico da FIV acredita que ele tenha sido em função do crescimento dos sacos gestacionais.

Sim, os dois embriões implantaram e para a nossa felicidade estamos esperando um casal! Estamos no 3º trimestre e apesar de alguns percalços – tive um cálculo renal por volta da 25ª semana – a gestação está evoluindo muito bem. Acredito que o mais relevante foi a mudança da minha postura em relação a tudo. Antes eu era questionadora. Quando via uma grávida, ficava revoltada e pensava: por que ela e não eu? Depois, o pensamento era: Senhor, se fizeste na vida dela, podes fazer na minha também. E isso confortou meu coração.

De toda essa experiência, aprendi uma lição importante que quero deixar aqui: na primeira fertilização, eu fiz escova progressiva com amônia no salão. O meu último médico disse que a amônia pode ter penetrado no meu couro cabeludo e prejudicado os meus óvulos. Então, meninas, afastem-se dessas químicas nos cabelos. Acredito que esses produtos são um veneno para a nossa fertilidade”.

 

 

Duda, 38 anos, mãe de um casalzinho de gêmeos que deve nascer esse semestre

 

 

Foto: Flickr/Knit Yeah!


4 thoughts on ““Fiz inseminação, coito, FIV… Era tanta ansiedade que achava que iria enlouquecer. Mas estou grávida de gêmeos”

  1. Danusa Santos Responder

    Por favor não estou encontrando mais informações sobre o uso da meia que a Duda cita. Gostaria de saber qual meia se usa, quanto tempo, etc…

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Danusa, tudo bem? Bem-vinda ao Cadê Meu Neném? A estratégia é manter os pés aquecidos, então pode ser uma meia comum, de algodão mesmo. A Duda optou por usar sempre que possível nos dias seguintes à transferência – e logo depois também. Vou te falar que eu também já tinha lido sobre isso de manter os pés quentinhos e procuro fazer isso sempre. Espero ter te ajudado. Bjinho, Pri Portugal

  2. Talita Responder

    É possível diagnosticar aderências e a mobilidade das trompas com a histerossalpingografia?

    1. Pri Portugal Responder

      Oi, Talita, td bem? Sim! 🙂
      Dá um olhada aqui: http://www.cademeunenem.com.br/histerossalpingografia-doi/
      E aqui: http://www.cademeunenem.com.br/histerossalpingografia-a-nova-geracao/
      Qualquer dúvida, grite 😉
      Bjinho
      Pri Portugal

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