25 anos sem Renato Russo

Eu não tive muito tempo pra curtir Renato Russo em vida.

Daquele dia em 1994 quando ouvi pela primeira vez que era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã até aquele outro dia em 1996 quando, indo fazer uma prova na escola, escutei no taxi que ele tinha morrido, não pude aproveitar muito suas entrevistas inteligentes e infelizmente não pude ver ao vivo o seu jeito único, esquisito e cheio de personalidade de dançar, mas a sua voz e, principalmente, suas letras, já embalaram muitas festas e muitas lágrimas da minha vida.

Da paixonite por um professor que tinha banda de garagem e cantava igualzinho a ele quando eu tinha 14 anos (tem gente que recebe Deus quando canta) até as rodas de violão e a sensação levemente subversiva de passar a noite acordada nos encontros de comunicação (disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza, ter bondade é ter coragem), passando pela dor já adulta de me separar fisicamente dos meus amigos de faculdade (Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar que tudo era pra sempre sem saber que pra sempre sempre acaba?), pela alegria de me casar (a mudança grande chegou com o fogão e a geladeira e a televisão. Não precisamos dormir no chão) e recentemente mais do que nunca por uma revolta pulsante (Sujeira pra todo lado, ninguém respeita a constituição, mas todos acreditam no futuro da nação) e por um amor gigante (Me diz por que que o céu é azul. Explica a grande fúria do mundo).

Lembro da exata sensação daquela Priscilla de 13 anos, ao ouvir Pais e Filhos, Vamos Fazer um Filme e Teatro dos Vampiros e pensar: como é possível que ele tenha escrito exatamente tudo o que eu sinto?

Foi um impulso imenso para que eu concluísse, já em 1994, que só poderia trabalhar escrevendo mesmo.

Obrigada por tanto, Renato Russo. Nem dá pra acreditar que já se passaram 25 anos e você segue me inspirando. Somos tão jovens…


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