Dia das mães: eu sei o que você está sentindo

Das incertezas que já tive na vida, nenhuma foi mais massacrante que a infertilidade. O medo de não ser mãe me visitava todos os dias e noites, por sete anos. A angústia de não saber qual monstro eu devia enfrentar porque o diagnóstico de infertilidade sem causa aparente me dizia que, afinal de contas, não parecia ter causa!
Na teoria, eu sempre soube que nada estava nas minhas mãos. Mas como doía confirmar isso na prática, todos os meses.
Meu corpo parecia tão saudável e perfeito, meu casamento era tão feliz, minha família toda apoiava a decisão, a carreira estava relativamente estável.
Tudo o que eu tinha plantado com esforço ao longo da vida eu tinha colhido até então. Até descobrir que engravidar não era tão fácil como parecia nas novelas. Até realmente compreender que a vida carregava muito mais incertezas do que eu queria acreditar. E que o sonho maior de ser mãe talvez nunca se realizasse.
E aí chegava o dia das mães. Claro, tinha a gratidão de poder celebrar a data com todas as mães que a vida generosamente me deu. Mas faltava aquele pedacinho que, pra mim, era imenso.
E meu coração sangrava ainda mais diante de cada foto feliz de mamãe com o seu bebezinho.
Então, sim, eu sei exatamente o que você está sentindo hoje (e vai sentir amanhã). E queria só deixar meu abraço de acolhimento porque essa dor existe e não dá pra fingir que não.
Também quero te deixar uma mensagem de esperança, afinal, eu sou uma de vocês. E tive a felicidade de realizar esse sonho. Desejo do meu ❤️ que ano que vem essa data seja vivida por vocês de outra maneira, mais plena e feliz. Um abraço bem apertado, Pri. 😘

Neste dia da mulher, eu desejo…

Neste dia da mulher eu desejo…

Que você possa escolher quando quer ter filhos.

Se você enfrentar a infertilidade, desejo que você seja acolhida pela sua família, pelo seu marido, pelos seus amigos e pelo mercado de trabalho. Se optar por adotar, idem. Se escolher não ter filhos, idem.

Que você encontre um bom médico, tenha seu diagnóstico e que a medicina traga as soluções para suas dificuldades.

Que você tenha clareza para decidir qual caminho seguir.

Que a saúde pública de qualidade seja de acesso universal. Inclusive para quem sonha engravidar.

Que não perguntem se você pretende engravidar quando você passar por uma entrevista de trabalho.

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É mais dolorida a nostalgia de quem não viveu tudo

No mês passado eu fiz 40 anos e fiquei pensando em como deve ser mais dolorida a nostalgia de quem não viveu tudo o que poderia ter vivido. Lembrar dos convites recusados, das viagens não feitas, dos destinos não conhecidos, dos encontros entre amigas que pulamos pelo excesso de compromissos, das brincadeiras com os filhos ou sobrinhos que consideramos – na época – desimportantes, dos doces de vó com que deixamos de nos deliciar porque estávamos de dieta, dos shows que perdemos pra economizar… deve ser muito dolorido. Porque olha, do alto dos meus 40 anos, eu consigo lembrar de pouquíssimas ocasiões dessas. E ainda assim consigo entender, mais do que nunca, o significado da palavra nostalgia.

Esses dias, falei na terapia que sempre curti muito a vida (de cara limpa, tá? Se não for assim, considero fugir da vida) porque lá no fundo pensava que fosse morrer jovem. “Uma besteira”, você pode estar pensando. Pode até ser, mas eu pensava que se isso não fosse verdade no mínimo teria aproveitado bem meus dias. Talvez, tenha sido influenciada pela minha leitura favorita de adolescência – Diário de Adolescente – em que uma das protagonistas (Maria Mariana, acho) fala que ela deveria ter mais medo de morrer que o pai, porque ele, afinal, tinha vivido muito mais, mas ela poderia apenas atravessar a rua e ser atropelada. Quem teria perdido mais ao morrer, então? (Maria Mariana, se algum dia você ler esse texto, saiba que nunca te vi, mas sempre te amei)

Então, fui em todas as baladinhas adolescentes que pude. Vivi todos os carnavais da minha vida. Não recusei viagem. Namorei, beijei e dancei tudo o que quis na adolescência e juventude. Aproveitei a vida adulta, encontrei meus amigos e minha família sempre que pude. Amei enlouquecidamente meus seres queridos. Talvez eu não seja presente como meu irmão, minhas primas ou minha melhor amiga. Mas eu fiz meu melhor, sabendo que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã (é, talvez meus ídolos de adolescência tenham influência nesse modo de pensar…).

Por que todo esse blablabla? Porque data redonda faz a gente pensar, traz um balanço inevitável e, sim, certa nostalgia.

Eu lembro de, na época da câmera fotográfica analógica, ter ido visitar o vulcão Etna, na Itália. Quando descemos do ônibus, vi uma terra bem preta – de lava, acabei descobrindo – com flores muito coloridas sobre ela. Era uma cena encantadora. Na hora, resolvi seguir o grupo e pensei que haveria essas flores por todos os lugares, mas qual não foi minha decepção quando percebi que a chance já tinha passado. Aquilo pra mim foi muito significativo. Não deixo mais nada para depois. Até os cabelos de rosa – sonho de adolescência – eu pintei.

Em tempos de COVID, isso ficou ainda mais claro. Eu, que não comemorava meu aniversário com festa há anos, tinha decidido celebrar os 40 com música ao vivo e amigos reunidos. Pá! Não vai ter festa, não. E, olha, isso realmente é nada perto de pessoas perdendo seus entes queridos ou precisando trabalhar sob um risco imenso de contágio.

Mas, com festa ou sem festa, eu cheguei. Já tive tanto medo dessa idade, gente! Nos meus pesadelos enquanto não conseguia engravidar parecia que eu chegaria aos 40 e subiria aquela tela de final de novela com uma música dramática e a palavra FIM. E aqui estou eu, prestes a comemorar os 2 anos do Raul e sem perder a esperança de um dia dar uma irmãzinha pra ele. E, veja só, vida, sua louca, você não é um filme e, se der certo, vai ser com certeza depois dos 40 😉

No entanto, sigo lembrando: que a gente viva nossos dias tirando o máximo proveito do PRESENTE que eles são. Sem esperar nada acontecer. Porque morrer sem ter vivido deve ser muito sofrido.

Oi, preciso de você!

Oi, gente, hoje vim aqui só para pedir: Ajuda o Cadê? Eu preciso entender em qual direção o site vai seguir, do que vocês precisam, o que esperam, do que mais gostam, do que não gostam… é uma pesquisa rapidinha. Sim, não torce o nariz porque ela foi criada para durar 5 minutinhos. É só CLICAR AQUI e marcar as alternativas. Nem precisa escrever! Se o Cadê já te ajudou em algum momento, agora é a sua vez de ajudar o Cadê :coração:

Quarentena, isolamento e solidão no dia das mães

Eu sei. O dia das mães já é uma data de muita solidão para quem gostaria de ter seu filho nos braços. Por mais que a gente viva a benção de poder comemorar a data com nossa mãe, ainda falta aquele pedaço bem importante que a gente deseja tanto. Mas esse ano as coisas estão mais pesadas. Estão tristes. Estamos todos enclausurados, numa incerteza danada sobre o amanhã, com medo de ter uma doença que nem sempre se manifesta na forma de sintomas e, pior, pode contaminar quem mais amamos. Ou com o tratamento de FIV interrompido. Ou com o casamento e nossas relações familiares abaladas por questões políticas…

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Gravidez química: quando o beta positivo não significa gravidez

Você já ouviu falar em gravidez química? Então imagine a cena. A menstruação atrasou. Você não quer criar falsas esperanças, então espera o aplicativo avisar que o atraso já passa de 10 dias. Sua menstruação nunca atrasou tanto. Certo, este é um bom motivo para pedir um delivery de farmácia com o teste de gravidez. O teste chega e, ainda mantendo uma aparente frieza, você espera até depois do almoço para fazer. Para surpresa total (ou não, afinal, você já tenta há muito tempo), o resultado é positivo. Calma. Respira. “Vamos manter a calma”, diz seu marido. “Vamos é correr para fazer o beta!”, você pensa. E lá vão os dois em direção ao laboratório com o coração na boca.

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Obrigada por tudo, Bolotinha

“Existe uma Pri antes e outra depois do Bolotinha”, disse uma amiga que me conhece desde os meus 6 anos de idade. Ela sabe o que fala. Antes eu tinha medo de cachorros, eu não entendia o sofrimento de quem perdia seu bichinho de estimação – apesar do esforço de empatia – e eu era muito rígida com a casa: tudo deveria estar limpo, perfeito e no lugar. Depois que ele chegou, em setembro de 2009, quando eu e o marido ainda nos adaptávamos com uma casa nova, tudo mudou. E eu mudei.

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