Fertilidade não é matemática!

Gente, fertilidade (e saúde em geral) não é matemática! Recebo todas as semanas e-mails de meninas desesperadas com a idade – “estou chegando aos 40, socorro!” – e com o resultado do hormônio anti-mulleriano (AMH), que, como eu contei aqui, indica a reserva ovariana.

Muitas ficam angustiadas porque sentem que não podem perder um só mês e se ficam adoentadas no período fértil ou o marido precisa viajar perdem o sono. Mas, gente, de novo: fertilidade não é matemática. E vou contar duas histórias para vocês entenderem isso.

A segunda é de uma amiga, de 36 anos: “tomei pílula sem intervalo por uns quatro anos seguidos. Descobri uma endometriose e parei o anticoncepcional para investigar a minha fertilidade.  A médica recomendou fazer o exame de AMH na segunda menstruação que viesse porque me disse que a primeira seria ‘falsa’. Pois bem, eu fiz e quase morri do coração: deu 0,18. Alguns meses depois, acho que uns 6, repeti e deu 0,86. Agora fiz de novo e caiu pra 0,74”, conta.

A primeira é a minha, que vocês já conhecem: 32 anos, AMH em 0,25, médico insensível dizendo pra começar uma FIV naquele dia mesmo e alertando para o fato de que eu poderia entrar em menopausa precoce. Peço para repetir o exame, ele alerta que o valor não se altera, repito no dia indicado pelo laboratório e o valor sobe pra 0,42. Passo cinco anos de angústia achando que meus óvulos estariam se esgotando dia após dia e aos 37 anos repito o AMH no laboratório de indicação do meu médico. Resultado? 0,35. Ainda baixo, mas melhor que aquele primeiro, feito cinco anos atrás. Pois é.

Ou seja, gente: o valor muda sim! E não cai mês a mês como a gente imagina. Então não precisa se desesperar. E tem mais três coisas importantes: segundo esse artigo, o AMH é alterado de acordo com a vitamina D presente no organismo, vejam: “a vitamina D, quando em concentrações baixas, também exerce influência negativa na dosagem em questão. Estudos mostram que o AMH pode cair em até 20% em mulheres com deficiência da vitamina e que sua reposição eleva os níveis do hormônio.”

Além disso, segundo minha amiga da história acima, é preciso fazer ainda um segundo exame: a contagem de folículos antrais, que ajuda a saber com mais precisão como anda seu estoque. Eu confesso que nunca me pediram para fins de diagnóstico, mas eu acabei contando os folículos depois de estimulada nas minhas três FIVs.

Por fim, meninas, mas não menos importante: AMH baixo até pode ser um sinal de alerta, de que não dá pra decidir se você vai querer engravidar ou não daqui a cinco anos, mas ele NÃO explica a razão de vocês não terem engravidado naturalmente. Então, isoladamente, ele não é indicação para FIV, certo? Muito menos a idade da mulher. Por isso, digo e repito: vale mais “perder” alguns meses buscando um diagnóstico mais preciso que correr para uma FIV sem saber o que a gente tem.

Foto: Flickr/daniely Luize


10 thoughts on “Fertilidade não é matemática!

  1. Flávia Cristiane Machado Bonamente Responder

    Pri, amo suas histórias! Você sabe que eu casei tarde e, portanto, engravidei mais tarde ainda.
    A Luiza nasceu quando uma semana antes de eu completar 42 anos. Depois que ela nasceu cheia de saúde, descobri a apreensão que a minha família passou durante a gravidez, principalmente pela nossa saúde, considerando que os riscos aumentam com o passar da idade.
    Levei 6 meses para engravidar e também tive várias piras que não daria certo, por isso entendo o sentimento que você transmite em todas as suas histórias.
    Parabéns e continue estimulando e esclarecendo dúvidas que acompanham todo mundo que passa por isso!!
    Beijão

    1. Pri Portugal Responder

      <3 queridaaaa! Sua história é muito linda. Se quiser dividir com a gente, vou ficar muito contente. Obrigada pelo comentário. Bjinho

  2. Lyanna Responder

    Oi Priscila! Você já teve o seu filhinho?

    1. Pri Portugal Responder

      Já, sim, Lyanna. Ele nasceu no dia 22 de novembro 🙂 Bjinho

  3. Carol Responder

    Menina, que é isso??? Cheguei a ficar arrepiada com o que li !!!!!
    Peguei meu AMH ontem…e o resultado foi 0,10 , tenho 39 anos…quase entrei em parafuso!
    Fui na Gineco hje que me indicou um indutor de ovulação e eu bem desesperada já marquei um médico em uma clinica de reprodução humana e já estou pesquisando tudo sobre FIV…porque na minha cabeça quero começar ontem !!!!!!!!
    E do nada….confesso que não conhecia seu blog, do nada pesquisando sobre Ovodoação, cai na sua página e do nada parei nesse post que vc escreveu PRA MIM, só pode ter sido pra mim!!!! Te agradeço, parei agora de procurar sobre FIV e vou relaxar, tomar meu indutor e treinar bastante no período certo !!!!! Obrigada !! Mil vezes obrigada por acalmar meu coração!!!!

    1. Pri Portugal Responder

      <3 Fico contente, Carol. A gente tem, sim, que correr atrás de um diagnóstico e o relógio não é nosso melhor amigo. Mas ele também não é uma bomba que pode tirar nossos sonhos, né? E outra: ovodoação está longe de ser um bicho de sete cabeças. Se quiser conversar, estou à disposição. Bjinho, Pri

  4. Lea Responder

    Genteeeee….que alegria descobrir esse site hoje!!!
    Muito obrigada Pri…por sua iniciativa!!! Precisamos mesmo tirar a dor das caixinhas individuais e expandir experiências e esperanças.
    Nossa…minha história é muito parecida com a sua…desde os sentimentos, FIV, o que ouvimos, etc…
    Mas essa questão da vitamina D influenciar no AMH nunca havia ouvido e foi assim que corremos por indicação do médico para a FIV porque não tinha mais como esperar e como não deu certo nos indicou a ovulodoação… Já o segundo mais ponderado disse para “arrumar a casa”, fazer novos exames e tentar novamente porque cada organismo reage de um jeito e não sabemos o que ele traz a cada ciclo.
    Enfim….quero só agradecer imensamente porque posso buscar o que ainda nem havia imaginado e mais posso auxiliar uma pessoa próxima que está começando essa “saga”…vou falar do site para ela.
    Imensa gratidão…bjo com muito carinho e parabéns de coração pelo seu baby!!!!!!

    1. Pri Portugal Responder

      <3 fiquei emocionada, Lea. Boa sorte na sua trajetória. Estou na torcida! Bjinho, Pri

  5. Cristina Responder

    No dia 27 de dezembro peguei meu positivo, fiquei muito feliz, pois estava há mais de 2 anos tentando engravidar. Foi um mês de felicidade. Até que ontem (30/01) fiz uma ultra onde mostrava que o embrião parou de se desenvolver e o coração não está mais batendo. Meu chão desabou. Agora estou igual louca na net procurando tudo que tenha a ver com meu caso, e acabei encontrando seu site.
    Me deixou mais esperançosa, pois já tenho 39 anos e estou tentando uma segunda gravidez após 12 anos. Sempre tive essa neura de que após os 40 tudo ficaria mais difícil. Agora é relaxar, esperar o corpo expelir e partir para novas tentativas.
    Tenho fé que logo estarei com meu pacotinho de amor no colo. Obrigada pelos relatos.
    Felicidades pra vc e sua família.

    1. Pri Portugal Responder

      Olá, Cristina, bem-vinda ao Cadê. Te desejo força. Vc está certa, todas temos pavor dos 40, mas não é uma folha no calendário que vai fazer tanta diferença assim. Temos que investigar tudo o que pode atrapalhar nossa fertilidade e procurar bons médicos e tratamentos, mas com menos angústia no coração. Boa jornada pra vc. Bjinho, Pri

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