O tempo de cada um

Não, eu não vou falar aqui sobre o misterioso “tempo de Deus”, de que as pessoas tanto falam quando a gente fica angustiada porque não consegue engravidar. Até porque acredito que cada um tem sua fé e acho legítimo até não ter nenhuma depois de um grande sofrimento. Eu vou falar de outro tempo. O nosso.

A gente quer correr para cumprir uma agenda impossível, quer encaixar dez mil compromissos, ser uma profissional realizada e de destaque, uma esposa/namorada adorável e compreensiva, uma filha atenciosa, uma irmã presente, uma amiga disponível e, se possível, com a casa brilhando, as pernas depiladas, magra, sarada e com a libido nas alturas. Eu sei. Se você é mulher, nada do que eu falei aqui é novidade. Mas você já parou para pensar sobre qual é o TEU tempo? A que horas você acordaria se não existisse um despertador? Por quanto tempo almoçaria? Quando resolveria ter um bebê?

Hoje, com um pitoco de 1 ano, eu definitivamente posso dizer que dormiria por mais tempo, voltaria mais tarde para casa de um almoço com uma amiga, voltaria a sair de noite aqui e ali (eu amo a noite!), reservaria uma horinha por dia para uma atividade física…

Também ficaria despreocupada sobre ter outro filho ou não, porque não precisaria ser agora. Gastaria mais tempo planejando minha carreira e definitivamente, estudaria algo novo – porque é uma das coisas que mais gosto de fazer na vida.

Mas mais que o tempo marcado no relógio, existem os ciclos. O meu tempo de pegar balada até 4 horas da manhã e acordar às 13 horas provavelmente já passou (não sei se para sempre, mas, por sorte, por escolha minha). Meus tempos de sonhar em ser modelo ou aeromoça ou editora de moda de uma revista internacional também já se foram. Seria impossível hoje? Claro que não! Simplesmente se foram porque são ciclos encerrados. Por mim. Porque eu quis.

E não foi algo óbvio, sabe? Eu não olhei no espelho um dia e disse: “não vou mais usar miniblusa”. Ou “nunca mais vou tomar essa vodca barata ;-)”. Aconteceu. Foi assim. Fases acabam e novas começam. A vida vem em ondas como o mar. O mais lindo da vida, porém, é que essas fases são diferentes para cada um. Pouco antes de engravidar, por exemplo, realizei um sonho de infância: aprender balé. Hoje, sento na areia para fazer castelinhos com muito mais carinho e atenção que fazia quando criança. E assim por diante.

A vida é nossa e a gente tem que pegá-la nas mãos para decidir até quando vai cada ciclo. Até quando vale a pena insistir. Até quando vale tentar. E, principalmente, quando alguma situação não nos basta mais e é hora de mudar. Li esses dias uma frase que compartilhei no Insta do Cadê porque achei profundamente bela: “conceda-se a graça de um outro renascimento”.

Leia. Releia. Imprima e coloque na porta da geladeira. Renascimentos renovam as energias. Eu já falei aqui que sempre achei genial “o cara” que inventou o calendário e decidiu que anos acabam e começam. Ele nos permite fazer balanços de como estão as coisas e dão aquele empurrãozinho para tomarmos decisões que muitas vezes são levadas com a barriga na correria do dia a dia. Por isso eu sabia que esse precisava ser o primeiro post do ano. Mesmo que, respeitando meu tempo, ele só fosse ao ar na segunda metade de janeiro…  


One thought on “O tempo de cada um

  1. […] é a parte mais fácil. Digo emocionalmente. Sim, porque não há manual. Cada um tem seu ritmo, seu... cademeunenem.com.br/quando-a-gente-fica-pronta

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