Infértil, eu? Como descobrir as causas da sua infertilidade

Gente, todas as semanas eu recebo e-mails de meninas “desesperadas” para engravidar, muitas delas me pedindo ajuda porque não sabem por onde começar a descobrir as causas de sua infertilidade.

Eu entendo que uma gineco generalista não conheça ou prefira não indicar exames específicos, mas se já faz um ano que você está efetivamente tentando engravidar e… nada, sua médica deveria acender um sinal amarelo e indicar um especialista em fertilidade. Sim, porque a palavra “infertilidade” é assustadora, porém, muitas vezes tem cura. E quanto antes você descobrir as causas de sua infertilidade, menos sofrimento vai enfrentar.

Como vocês sabem, eu não sou médica, apenas uma jornalista que levou sete anos para engravidar e decidiu criar um site para contar sua história, compartilhar experiências e dividir informação responsável. E a mais importante delas é: investiguem o que vocês têm! Diagnóstico é tudo, gente! A medicina faz descobertas diárias nessa área e um médico bem atualizado faz toda diferença na hora de poupar anos de sofrimento.

Dificilmente um bom médico de fertilidade tem cobertura de planos de saúde (ao menos essa é a minha experiência. A sua é diferente? Me conta!), então aceite que você vai precisar pagar uma consulta, muitas vezes cara. Mas acredite quando eu digo que esse é um dos casos em que o caro sai barato.

Dito isto, a dúvida mais frequente que recebo é: quais exames devo fazer para descobrir as causas da minha infertilidade? Novamente: eu não sou médica, mas posso contar da minha experiência (aliás, aproveitem para ler o meu diário aqui).

Para começo de conversa, um corriqueiro ultrassom transvaginal é apenas o primeiro passo na investigação das causas da infertilidade. Existem muitas outras etapas para se chegar a um diagnóstico preciso. 

Comece pelos exames do seu marido (ultrassom dos testículos, check up geral de saúde e espermograma completo, com análise de fragmentação de DNA). Tudo o que ele precisa fazer é ir a um urologista e pedir tudo isso. Lembre-se de que a infertilidade é uma questão do casal e a investigação nele é muito mais simples. “Ah, mas meu marido não tem tempo/não quer fazer o espermograma, o que faço?”. Aqui novamente vou ser bem direta porque recebo MUITOS e-mails falando isso. Minha opinião é: diga para ele que se não é capaz de dedicar uma horinha para uma consulta nem deixar de lado o orgulho/medo/machismo em nome desse projeto de vocês dois, provavelmente não está pronto para ser pai. Sim porque com um bebê a gente esquece conceitos como orgulho e tempo, certo? 😉

Já no nosso caso – ahhh, a dor e a delícia de ser mulher – a história é mais complexa. Para um diagnóstico inicial, seu médico precisa te pedir uma histeroscopia, uma histerossalpingografia, ressonância magnética e ultrassom de pelve com preparo intestinal, além dos exames hormonais de sangue – isso pra começar. Dependendo da sua idade já é bom hormônio antimulleriano (AMH), para verificar seu estoque ovariano (entenda aqui).

Algo que me arrependo por ter demorado a fazer foi visitar um bom endocrinologista. Afinal, além de verificar com propriedade seus hormônios ligados diretamente à reprodução, ele precisa checar sua tireoide (muito importante, como falei aqui). Aliás, até casos subclínicos de tireoidite podem interferir na fertilidade!

Se todas essas questões forem investigadas e vocês não tiverem um diagnóstico, ainda vale checar questões autoimunes, como trombofilia. Essa era uma das causas da minha infertilidade, por sinal, e meu médico conta aqui. Ainda existem exames mais específicos, como a janela de implantação e o ERA (que verifica a receptividade do endométrio), que costumam ser requisitados depois de uma FIV malsucedida, e ainda análise de cariótipo e, certamente, enquanto eu escrevia esse texto, novos exames foram descobertos.

Tudo isso para poupar negativos desnecessários, para abreviar a corrida contra o relógio, para economizar dinheiro e lágrimas. Lembro como se fosse hoje a primeira vez em que vi uma ficha médica que trazia a justificativa para um pedido de exame. Estava escrito, em letras garrafais: INFERTILIDADE. Aquilo doeu na minha alma. Infértil, eu? Não queria admitir, ainda acreditava que era só um “atraso” da natureza para realizar meu sonho. Mal sabia eu que quanto antes admitisse isso e quanto mais cedo procurasse uma causa para minha infertilidade, menos angústia viveria no processo.

Então, resolvi escrever esse post para responder a perguntas que recebo semanalmente na minha caixa de e-mails, como: O que devo fazer para ter um diagnóstico? Como você descobriu a trombofilia? Quais exames você fez para saber o que tinha? Você já pensou em desistir? Como convencer meu marido a fazer o espermograma? Quais especialidades médicas vale consultar? E várias outras.

Digo e repito: informação é poder. Leia, pesquise, se informe, troque ideias com @ gineco e, principalmente, escolha um médico muito atualizado, que tenha empatia pela sua dor e em quem você possa confiar para trocar informações e até sugerir mudanças de protocolo. Só assim você saberá que fez tudo o que estava ao seu alcance e poderá ter paz, independentemente do resultado do beta HCG.

Foto: Flickr/Simple Insomnia


3 thoughts on “Infértil, eu? Como descobrir as causas da sua infertilidade

  1. Márcia Responder

    Já compartilhei aqui minha história e esse mês sofri o 4* aborto. A minha ginecologista disse q a medicina não tem resposta pras minhas perdas o que me deixou arrasada, enquanto outra médica disse que com certeza a causa é ma formação devido minha idade e a idade dos meus óvulos. Tô sem chão não quero desistir da maternidade, mas não sei que decisão tomar.
    Preciso de ajuda

    Márcia Fernandes, 42 anos

  2. Maria Responder

    Olá!
    Estou tentando há 11 meses. Com 9 meses, e só após eu me lamentar bastante, minha GO pediu a histerossalpingografia e exames de sangue. Hoje levei os resultados na consulta e aparentemente o único problema é que tenho aderência na tuba direita devido a uma cirurgia de apendicite. Meu marido fez o espermograma e está normal. Praticamente não fiz nenhum dos exames citados no post, e a médica só falou para eu “relaxar”, praticar nos dias do período fértil (como se eu não já fizesse isso), e se em 6 meses não engravidar, procurar uma clínica de fertilização. Frustrante demais!

    1. Pri Portugal Responder

      Olha, Maria, eu não sou médica, parto apenas da minha experiência pessoal para dividir minhas dores e tentar inspirar quem está passando agora pelo que eu já passei. Sinceridade? Eu procuraria já um especialista. Passei por isso e me arrependo do tempo perdido… Estou na torcida por vc! Bjinho

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