Tireoide: o que a glândula que fica no seu pescoço tem a ver com fertilidade

Sabe quando você tem uma laringite? Então, é uma inflamação na laringe, certo? Ponha a mão ali. Pronto, agora, você sabe onde fica a tireoide: escondidinha atrás da sua laringe. E é essa pequena glândula que regula a produção de energia e o metabolismo do corpo todo, incluindo sua fertilidade. Ela produz hormônios vitais e que têm grande importância no nosso sistema reprodutor. Por isso, se você ainda não consultou um endocrinologista para saber se sua “infertilidade sem causa aparente” não tem como causa a tireoide, pode agendar a consulta para já.

Eu demorei seis anos para descobrir que, do jeito que estava, a minha tireoide me atrapalhava para engravidar. Eu já havia comentado com alguns endocrinologistas que minha mãe tem tireoidite de Hashimoto, que é uma doença autoimune que inflama a tireoide (explicação rasa, tá, gente? Para saber mais, vejam essa explicação do dr. Drauzio Varella). Mas eles pediam o ultrassom, o TSH (um exame de sangue que mede a produção de hormônios da tireoide), o T4 e o T3 (outros hormônios que também são medidos em exame de sangue) e… ficava por isso mesmo, porque estava tudo “normal”.

Só que eu encontrei uma endocrinologista, vamos falar assim, mais atenciosa. E falei para ela das minhas tentativas frustradas de engravidar. E ela me pediu um outro exame chamado AAT – Anticorpo antiglobulina. Quando o parâmetro normal para esse anticorpo deve ser inferior a 4,11 IU/ml, o meu estava em 20,27 IU/ml. Ela me tranquilizou e disse que não era muito. Mas afirmou que, sim, isso poderia estar me atrapalhando pois indicava um início de Hashimoto. Resumindo grosseiramente, era como se a minha tireoide se defendesse dela mesma.

 

Fique de olho na sua tireoide

Resultado? Me deu um simples comprimido que tomo todos os dias em jejum e pronto. Deve regular tudo. Chateada porque ainda ninguém havia percebido isso apesar dos meus alertas e preocupada porque o ultrassom não tinha indicado nenhuma anormalidade, comentei com ela, que me respondeu: só aparece no ultrassom quando o problema já está maior. Desde então virou meu mantra para as meninas que me contam ter ISCA, a famosa “infertilidade sem causa aparente”: investiguem a tireoide! (sim, já falamos disso aqui!) E eu não sou a única a pensar assim.

Recentemente, o jornal The NY Times trouxe um artigo importante a respeito da tireoide. “Níveis anormais de hormônio da tireoide podem afetar várias funções do corpo e causam sintomas confusos e que muitas vezes não são diagnosticados”, diz a matéria. E completa aconselhando que a gente peça para o médico alertar mesmo em caso de hipotireoidismo (funcionamento fraco) ou hipertireoidismo (uma espécie de superaceleração desta glândula) subclínicos – ou seja, com pequenas variações nos exames.

Por quê? “Em um número significativo de pessoas com deficiência na tireoide, os exames de sangue de rotina falham ao detectar presença insuficiente de hormônios da tireoide, deixando os pacientes sem uma explicação precisa para seus sintomas. E os sintomas podem variar de fadiga excessiva, depressão, queda de cabelo, ganho de peso inexplicável, intestino preso e ansiedade. Mulheres em idade reprodutiva podem ter dificuldade de engravidar ou ficar grávidas”.

Precisa de mais um motivo?

 

*Foto: Flickr/ Antonio Bovino

 


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