Histeroscopia: socorro! Em que casos é indicada?

Ao longo da minha jornada de sete anos tentando engravidar, eu precisei fazer a histeroscopia três vezes. E não foi legal. Na primeira, não consegui chegar ao final e tive que remarcar com internação no hospital e anestesia. Minha sensação era de que ia “morrer”. Depois, descobri com o médico que era um negócio chamado reflexo vagal, e, como resolvi a questão de uma maneira ou de outra, deixei pra lá.

Mas quando caí no médico que finalmente daria meu diagnóstico, ele pediu novamente o exame. Dessa vez, com preparo intestinal (ô coisinha chata que é tomar laxante, né?). Me apavorei pela dor sentida da outra vez e ele me orientou a tomar um comprimidinho sedativo meia hora antes do procedimento. Confesso, para mim não adiantou. Mas depois descobrimos que o medicamento teve efeito tardio no meu organismo, tanto que cheguei em casa caindo de sono, o que deveria ter acontecido na clínica.

Para mim, a histeroscopia foi fundamental, pois permitiu o diagnóstico de endometrite (como já contei aqui), que era uma das causas da minha infertilidade. Mas ainda assim fiquei querendo entender o porquê de todo aquele sofrimento e, principalmente, tentando descobrir como minimizá-lo para você, que ainda vai passar por um exame assim. Então, fui conversar com a doutora Luciana Chamié, especialista em diagnóstico por imagem. Veja:

 

Cadê Meu Neném?: Em que casos a histeroscopia é recomendada?

Luciana Chamié: Histeroscopia é um procedimento mais invasivo realizado por um ginecologista, que consiste na visualização direta da cavidade uterina, através de uma câmera. Ela pode trazer o diagnóstico apenas visualmente ou com uma biopsia do endométrio associada. Pode ainda ser cirúrgica, quando é associada a um procedimento com fim terapêutico.

 

Cadê Meu Neném?: Como é o procedimento?

Luciana Chamié: A histeroscopia diagnóstica é realizada em clínicas, não utiliza sedação e é apenas para visualização da cavidade dos ócios tubários, para identificar se tem alguma lesão dentro da cavidade ou eventualmente fazer uma biópsia com a coleta do material endometrial.

 

Cadê Meu Neném?: E por que dói?

Luciana Chamié: Em geral, as pacientes relatam cólicas e um leve desconforto. Às vezes, têm queda de pressão devido a um reflexo vagal que causa mal-estar.

 

Cadê Meu Neném?: O que é o reflexo vagal?

Luciana Chamié: Reflexo vagal é uma queda súbita da pressão arterial que acontece quando você passa por uma dor aguda. A histeroscopia é um exame invasivo, que se faz com uma cânula com câmera na ponta. O útero é um órgão muscular e pode se contrair com a passagem da cânula. Essa contração pode ser uma cólica tão intensa que traz essa sensação de desmaio.

 

Cadê Meu Neném?: Por que não se faz esse exame com anestesia?

Luciana Chamié: No caso da histeroscopia diagnóstica, a ideia é poupar a paciente de uma sedação, afinal, uma anestesia é sempre uma anestesia. O ideal, então, seria tentar fechar o diagnóstico antes, por ultrassom transvaginal e ressonância magnética, que já mostram questões como pólipos no endométrio, miomas, má-formação do útero e aderência, em pacientes que já sofreram aborto e curetagem. Então, já com o mapeamento feito, a paciente fazia direto a histeroscopia cirúrgica para corrigir eventuais problemas. Aí sim com anestesia. Mas existem casos em que a diagnóstica se faz necessária por causa da biópsia de endométrio. Aí depende da indicação do médico.

 

Cadê Meu Neném?: Como minimizar a dor?

Luciana Chamié: O que pode minimizar a dor é o estado da paciente: ela está segura com o ambiente? Está muito frio e escuro? Ela está confortável com o profissional e com as informações que tem? É muito pior ser pega de surpresa e não saber como será o procedimento.

 

Cadê Meu Neném?: Quais doenças a histeroscopia pode revelar?

Luciana Chamié: Ela geralmente está indicada na avaliação de uma endometrite, que é uma alteração inflamatória crônica do endométrio, de pólipos endometriais, que são formações nodulares que crescem a partir do endométrio para dentro da cavidade uterina, de miomas submucosos que se projetam para dentro da cavidade e de sinéquias uterinas (que são aderências que se formam dentro da cavidade uterina em decorrência de aborto ou curetagem).

 

Cadê Meu Neném?: A histeroscopia diagnostica endometriose?

Luciana Chamié: Não. Porque endometriose fica fora da cavidade uterina.

 

Cadê Meu Neném?: A histeroscopia também pode ser cirúrgica, certo? Gostaria que a sra explicasse a diferença.

Luciana Chamié: Sim, ela é indicada em qualquer situação onde haja necessidade de tratar algo existente no interior da cavidade uterina, desde malformações do útero até miomas, pólipos, sinéquias e septos. Nesses casos é realizado sob sedação em regime de day hospital.

 

Cadê Meu Neném?: Se a mulher tem o útero perfeito, existe alguma chance de ela não engravidar (mesmo que por procedimentos como FIV)? Por quê?

Luciana Chamié: Claro. Para uma FIV dar certo, tudo tem que conspirar a favor. O útero não é único responsável: tem a qualidade do óvulo, do esperma, do embrião, a receptividade do endométrio… tem situações em que a natureza falha.

 

Cadê Meu Neném?: Algum conselho para quem precisar realizar sua histeroscopia para investigar infertilidade?

Luciana Chamié: Uma dica que costumo dar é: tenha seus exames organizados e leve ao seu médico na consulta. Às vezes, ele indica um exame por não ter acesso a todo o seu histórico.

 

 

 

 

Serviço:

A dra. Luciana Chamié é médica radiologista, especialista em imagem da mulher, sócia-titular da Sociedade Paulista de Radiologia e do Centro de Diagnóstico Ultrassonográfico Chamié. Para saber mais, clique aqui.

 

 

Foto: Flickr/ Hey Paul Studios


One thought on “Histeroscopia: socorro! Em que casos é indicada?

  1. […] decisões. Quase pedi para desistirmos quando ela praticamente desmaiou de dor durante o exame de hi... cademeunenem.com.br/o-que-sente-um-quase-pai-um-depoimento-do-meu-marido

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