Tive aborto espontâneo três vezes e descobri excesso de células NK

“Era início de 2012 quando eu e meu marido decidimos que era hora de aumentar a família. Para nossa surpresa, no mês seguinte eu já estava grávida! Mas a alegria durou apenas 15 dias e eu tive um aborto espontâneo. Nosso primeiro anjo se foi…

Depois disso, tentamos por anos, mas não aconteceu outra gravidez. Em 2015, começamos a investigar, fomos por conta própria a um especialista em reprodução humana, mas todos os exames estavam normais. Diagnóstico: infertilidade sem causa aparente (ISCA).

A partir daí, foram sete ciclos de tentativas de indução de ovulação com um comprimido. E nada. Mais quatro inseminações artificiais. Nada novamente. Até que, em 2017, fomos para a primeira fertilização in vitro. Viva! Conseguimos cinco lindos embriões e transferimos um a fresco. Resultado? Positivo! Aquela alegria não cabia no meu peito. Vimos o bebê crescendo e ouvimos o coraçãozinho batendo no ultrassom. No exame morfológico de primeiro trimestre, porém, veio nossa triste surpresa: um aborto retido. E o nosso segundo anjo se foi…

Dois meses depois, transferimos mais dois embriões e tive meu positivo de novo. Só que cinco dias depois outro aborto espontâneo levava o sonho embora. Era nosso terceiro anjo.

Transferimos, então, os dois últimos embriões. E dessa vez o resultado foi negativo.

Arrasada, eu já havia desistido. Não ia suportar passar por outra FIV. Nem queria mais tentar. A maternidade não era pra mim e eu devia aceitar. Mas meu marido foi alimentando minha esperança pouco a pouco e, em 2018, resolvemos procurar outro médico.

Após olhar todos os nossos exames, me pediu um que eu não havia feito: o de células NK no sangue. O resultado foi positivo. Para resolver esse problema, eu deveria aplicar via venosa um medicamento chamado Intralipid até completar 20 semanas de gestação, caso engravidasse de novo. Também tivemos indicação para fazer análise genética dos embriões antes da transferência.

Lá fomos nós para as injeções na barriga novamente e conseguimos mais cinco lindos embriões. Porém, quatro deles foram reprovados na análise genética, pois eram incompatíveis com a vida. Imaginem que toda a nossa expectativa ficou em cima de um único embrião. E foi esse que nos trouxe nossa maior alegria!

Tivemos o positivo, porém vivi uma gestação delicada e conturbada, com ameaça de aborto, repouso absoluto, Intralipid por conta das células NK, hiperêmese gravídica e diabetes gestacional. Mas a cada chutinho que eu sentia dentro de mim, me vinha a certeza de que meu sonho se realizaria.

Às 37 semanas de gestação, minha bolsa se rompeu e Estela decidiu que era sua hora de vir ao mundo. Era nossa bebe, nossa estrela, que veio para iluminar a vida de toda a família e nos fazer enxergar que o tempo é o senhor de todas as coisas e que amor e parceria são capazes de realizar sonhos!”

Karine Siqueira Cannavan, de 37 anos, é mãe da Estela, de 1 mês


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