O grande medo: sobre a tragédia dos outros

Inspirada no e-mail que respondi para uma leitora esses dias sobre medo, resolvi escrever esse post com mais um aprendizado desses anos todos tentando engravidar – e que se confirmou durante a minha gravidez, vale dizer.

O aprendizado parece banal para alguém 100% seguro de si, mas esse não é meu caso. Olhar para a dor alheia me comove e me faz me colocar no lugar deles, sentir sua dor e também um medo terrível de que aquilo aconteça comigo. Essa lição é (tcharammmm!): a tragédia dos outros é dos outros. O que eu quero dizer com isso? Que a gente não deve se preocupar e deixar a pessoa sofrer sozinha? Claro que não, afinal, acho empatia fundamental (aliás, já falei de empatia aqui, lembram?). Quero dizer que a gente deve, sim, se colocar no lugar do outro para entender com mais profundidade e amorosidade a dor dele, para de fato oferecer um ombro ou uma palavra que possa consolá-lo, mas não podemos tomar aquela dor para nós.

É difícil separar, eu sei, ainda mais quando quem sofre é alguém que amamos. Mas fundamental para mantermos nossa sanidade e nossa fé: pode dar certo, sim.

Nessa minha trajetória, me deparei com muitas histórias de amigas – antes mesmo de criar o site – que passaram por muita dor relacionada à infertilidade e à maternidade (como a Fernanda e a Marina, que acompanhei de perto). Senti a dor delas e, se pudesse, teria aliviado de alguma forma esse sofrimento. Mas também carreguei esse medo por um bom tempo no peito. Se isso podia acontecer com pessoas tão incríveis, por que não aconteceria comigo?

E o medo me sufocou muitas vezes: quando fiz meus tratamentos de fertilização (veja aqui no Diário), quando fiz exames que haviam me contado que doíam, quando tive o positivo (sabia que se o beta não dobrasse a cada 3 dias seria gravidez química ou nas trompas), quando fui fazer o ultrassom que ouvia o coração do bebê (muitas leitoras souberam que sua gravidez era química ou ectópica nesse momento, e as histórias vinham à minha mente), quando fizemos o primeiro ultrassom morfológico (tive pesadelos horríveis nas vésperas)…

Mas, como postei essa semana no Instagram do Cadê (ainda não segue? Clique aqui!), a coragem é a travessia do medo e é preciso superá-lo. Eu contei com a superajuda da minha terapeuta de florais. Ela sempre me dizia nas consultas: “cada um tem sua trajetória. A gente está aqui para aprender e ninguém passa pelo que não precisa – nem mamãe nem bebê. A história dessas pessoas não é a sua”.

Acho que de tanto ouvir e pensar a respeito, isso foi entrando na minha cabeça. Outra frase importante que virou meu mantra foi “a tragédia é exceção. Olhe ao redor e veja quantas pessoas têm gestações felizes”.

Fato. Eu não sou uma pessoa muito religiosa, mas acredito que temos um destino e nossa intuição tem razão de ser. Então, vamos nos informar, nos sentir bem amparadas por bons médicos (na luta contra a infertilidade, na gestação, depois que o bebê nascer…), ouvir nossa intuição e acreditar. E a gente precisa acreditar que o universo fará a parte dele também (já leu esse post? Ele fala disso) enquanto a gente faz a nossa, que é buscar ficar bem emocionalmente. Se a gente não se cuidar, esse medo não passa nunca: é medo de não engravidar, medo de perder, medo de ter prematuro, de não ter um bom parto, de o bebê morrer… vamos quebrar essa vibe!

E a procura pelo bem-estar emocional pode significar evitar as redes sociais quando elas nos fazem sofrer, encontrar uma nova série no Netflix que só faça dar risada (eu tô assistindo, com um super atraso, Gilmore Girls, por exemplo), fazer uma aula de dança, aprender uma nova língua, fazer yoga, meditação… vale o que funcionar para você. Desde que você fique realmente bem enquanto segue o seu caminho, que é só seu e de mais ninguém.

 

 

Foto: Reprodução de cena do filme “O que esperar quando você está esperando”

 


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