O que é adenomiose?

Nosso útero é um órgão tão complexo que quem pensa que descartar a endometriose é sinal, por si só, de fertilidade está muito enganado. Existem casos como o meu – de endometrite -, a adenomiose (de que eu nunca tinha ouvido falar até saber por algumas leitoras aqui do site), os pólipos, a janela de implantação… Enfim, são muitas as causas ligadas ao útero que podem estar atrapalhando sua gravidez.

De qualquer forma, o melhor jeito para investigar o útero é a histeroscopia (eu conto mais aqui), junto de ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética. Eu já falei aqui no site sobre endometriose e endometrite, mas ainda não tinha descoberto o que era a tal da adenomiose. Então, fui conversar com a dra. Patricia Bretz, da clínica Nova Vitta para entender melhor. “A infertilidade está associada à adenomiose em até 14% dos casos e ela pode atrapalhar até na fertilização in vitro”, explica. Acompanhe essa entrevista:

post 87 - adenomiose - dra. Patrícia Bretz 5

Cadê Meu Neném?: O que é adenomiose?

Patricia Bretz: É a implantação de tecido endometrial na parede do útero. Normalmente, o endométrio é descamado e eliminado na menstruação, mas no caso da adenomiose este tecido se fixa e se prolifera na parede uterina.

 

Cadê Meu Neném?: O que causa esta doença?

Patricia Bretz: Suspeitamos de questões imunológicas (associada a doenças autoimunes), refluxo menstrual, causas hormonais e ainda genéticas e hereditárias. A última hipótese se reforça porque existem relatos de suspeita de adenomiose em fetos intra-útero.

 

Cadê Meu Neném?: A adenomiose tem sintomas?

Patricia Bretz: Geralmente é bastante sintomática: cólicas menstruais, fluxo menstrual irregular e aumentado e até mesmo infertilidade.

 

Cadê Meu Neném?: Como diagnosticar?

Patricia Bretz: Pelo quadro clínico baseado nas queixas, pelo ultrassom transvaginal, pelo ultrassom com protocolo para endometriose e por ressonância magnética.

 

Cadê Meu Neném?: Como a adenomiose atrapalha a fertilidade?

Patricia Bretz: São vários os mecanismos, que vão de alterações moleculares a musculares. Alguns autores acreditam que a adenomiose pode alterar o transporte dos espermatozoides através do útero porque ela desestrutura a musculatura uterina. Outros dizem que alterações na vascularização do endométrio são associadas à falha na implantação do embrião. Há ainda estudos que relatam anomalias moleculares, falha na resposta do endométrio às proteínas de adesão do embrião, alterações genéticas e concentrações excessivas de radicais livres na cavidade uterina.

 

Cadê Meu Neném?: Tem cura?

Patricia Bretz: O tratamento clínico para controle dos sintomas ocorre com anti-inflamatório, pílula anticoncepcional oral, DIU Mirena, medicações anti-estrogênicas, implantes hormonais e, em casos mais graves, a cirurgia para retirada do útero.

 

Serviço:
Clínica Nova Vitta
Rua Ismael Victor de Campos, 135 – São Roque (SP)
Instagram:@drapatriciabretz

 

*Foto: Flickr/ Lord Jim

 


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