Quando é hora de parar de tentar engravidar? Abrir mão de ter filhos é uma ferida que nunca cura?

Eu sempre brinco que essa é a pergunta de um milhão de dólares: quando é hora de parar de tentar engravidar? Como essa trajetória da infertilidade é muito dolorosa e cheia de altos e baixos – a cada novo diagnóstico e tratamento nasce uma esperança, a cada visita da menstruação, chegamos ao fundo do poço – o difícil é mesmo saber quando desistir. Sim. Desistir. Parece um palavrão, afinal, a gente vive em uma sociedade em que desistir parece coisa de perdedor. Mas não é. Não necessariamente.

Nos meus dias de altos e baixos, eu fico realmente dividida entre seguir o exemplo da mãe que não quis mais fazer tratamentos de fertilidade, adotou e é feliz. Ou da mulher que optou por não adotar e não ter filhos. Ou ainda da que engravidou depois de oito FIVs e muito sofrimento. Sempre que entrevisto alguém para a seção “Depoimentos” aqui do site, essa é uma pergunta que faço: “quando você decidiu seguir adiante?” Ou então “quando resolveu parar de tentar engravidar?”.

Afinal, essa decisão, esse ponto final, esse rumo que damos para as nossas vidas é único, pessoal e intransferível. Essa semana, pesquisando um vídeo com uma mensagem bonita para exibir no sábado, quando teremos o primeiro Encontro de Apoio e Acolhimento Cadê Meu Neném?, me deparei com milhares de mensagens “de motivação” que diziam sempre: “Não desista!”. Mas será que não desistir é mesmo o melhor caminho? Ou é, como fala minha mãe, dar murro em ponta de faca?

 

Casais que resolveram parar de tentar engravidar, mitos e verdades

Foi aí que, avançando nas pesquisas, me deparei com o site da ONG americana Resolve e, em meio a tantas informações e depoimentos, um deles me chamou a atenção especialmente: o de um casal que não conseguiu ter filhos. Entrei em contato com a diretora da ONG, a querida Betsy Campbell, e pedi autorização para reproduzir um trecho do texto aqui, em português. Se você entende inglês, recomendo que clique aqui e leia o post na íntegra porque vale a pena. Ele é bem honesto e fala sobre os mitos e verdades envolvidos na decisão de parar de tentar engravidar.

Segundo a experiência que a ONG teve ao lidar com casais que desistiram, a decisão veio acompanhada da superação de um luto: o luto por um sonho que não se realizou. Depois que essa fase passa, os casais costumam focar suas energias em outras áreas de suas vidas: o trabalho, a família estendida, os amigos, as viagens, um serviço comunitário… “Ao aceitar uma vida sem filhos, você aprende a viver sua vida olhando para frente ao invés de olhar para trás”, em resumo.

Aqui, quero chamar a atenção para os mitos e verdades, que foi a parte mais reconfortante que encontrei no site da Resolve porque responde a muitos dos meus medos caso eu decida parar de tentar engravidar. Dá uma olhada:

Mito 1: “Não ter filhos significa sentir essa dor que está aí no seu peito para sempre”. Isso não é verdade porque apenas parte da dor que você sente hoje é realmente a falta de um filho. Um pouco é o processo de luto que você está vivendo. Outra parte é a incerteza de um dia ser (ou não) mãe.

Mito 2: “Uma vida sem filhos é vazia”. Casais sem filhos vão atrás de outros interesses seja no trabalho, sejam hobbies, sejam causas políticas ou até um trabalho social com crianças.

Mito 3: “Se eu não tiver filhos, vou ficar triste toda vez que eu vir uma criança”. Depois que a decisão de não ter filhos é tomada, os casais têm poucos momentos de tristeza.

Mito 4: “Se eu não tiver filhos, serei infeliz na velhice”. Filhos não são um seguro contra a solidão na velhice. Não tem como saber se seus filhos morariam perto de você ou te ofereceriam conforto.

Mito 5: “Vai parecer loucura desistir de engravidar depois de tudo o que passamos”. Ninguém pode decidir o que é certo para você. É sua vida. Decidir não ter filhos não tira a importância desses anos de tentativas. Vocês dois compartilharam algo importante e esse período terá fortalecido sua relação e seus valores, além de deixá-los mais unidos.

Mito 6: “Se não tivermos filhos, vamos nos arrepender depois”. É claro que haverá dias em que vocês estariam mais felizes se tivessem feito outra escolha. Todo mundo sente isso. Provavelmente casais que adotaram ou mesmo engravidaram também sentem um arrependimento em determinadas situações.

 

*Foto: Reprodução/Filme “Alice no País das Maravilhas”


30 thoughts on “Quando é hora de parar de tentar engravidar? Abrir mão de ter filhos é uma ferida que nunca cura?

  1. Valéria Leonel Responder

    Oi Pri, acompanho suas postagens via insta e adorei esta abordagem com esse tema tão temido por nós tentantes! Se um dia eu “precisar” desistir de ter o tão sonhado e esperado filho, já me vi muitas vezes lá na frente como uma fracassada, a q não pode ter filhos .. mas como foi dito num trecho ali em cima, é NOSSA vida .. somos nós quem decidimos e sabemos a hora certa pra cada decisão tomada! Sou tentante já tem uns três anos, mas de fevereiro pra cá intensifiquei mais meu tratamento, tenho SOP nos ovários direito e esquerdo, não ovulo e tenho a testosterona muito alta (mais alta q o normal para um organismo masculino), fiz tratamento para controlar tudo q estava fora do lugar e a ultima tentativa q minha gineco adotou foi a indução da ovulação através do Clomid. Comecei a tomar ontem e aguardaremos para saber se teremos um resultado bom! A Dra chegou a citar “clinica de fertilização” pra mim e como eu estava sozinha na consulta fiquei meio apavorada, soou como se eu fosse lutar mais uma vez e não teria resultado positivo. Esses medicamentos judiam demais e as vezes penso em desistir, porém tenho um sonho maior, q por vezes tento nem pensar nisso para não ficar batendo na mesma tecla sempre e pirar, mas no meio social sempre tem as perguntas: Pra quando vão encomendar um filho? Já está na hora! A resposta está sempre na ponta da língua, mas por educação, sorrimos e respondemos qualquer coisa rsrsrs .. bom é isso, quis dividir um pouquinho da minha batalha para ser MÃE!! Beijos querida.

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Valéria, fico muito feliz que acompanhe o Cadê. Espero de coração que se sinta acolhida e abraçada nesse espaço aqui. Eu vou te falar que já pensei em desistir muitas vezes. Inclusive desisti por um período, mas ainda não era “de verdade”, sabe? Pq todo mês eu continuava com esperanças. Hoje acho que, quando decidir parar de tentar, vou voltar a tomar pílula por um tempo, para por um ponto final nessa história mesmo… mas quando esse dia chegará? Ainda não tenho essa resposta. Só sei que a luta fica mais fácil quando dividida com pessoas como vc. <3 Beijinho

    2. Kika Responder

      Eu tento engravidar a 13 anos! Ja fiz 2 fertilizacoes sem sucesso, ja emgrabidei 3 vezes e perdi. Hoje em dia estou num outro relacionamento com 48 anos e mao sei mais o que pensar! To a espera de uma doadora mas confusa se devo tentar de novo ou desistir!

      1. Pri Portugal Responder

        oi, Kika, bem-vinda ao Cadê. Desejo que se sinta acolhida. Sinto muito pelas suas perdas. Desejo que escute seu coração e encontre a serenidade para tomar essa difícil decisão. Bjinho, Pri

      2. Luana Responder

        Oi Kika, me encontro em uma situação parecida… queria
        Muito saber o que se deu depois desse depoimento seu… sinceramente, me
        Sinto tão sozinha em relação a essa decisão, tentando há 11 anos e meu marido não parece querer genuinamente. A história é longa… mas pro momento a resposta da médica é fazer uma fiv. Porém, não sei se quero dar esse passo financeiro, mesmo pq não temos, mas tb de tirar de onde não temos pra fazer isso e dar errado. Mas acho que o que mais me paralisa além antes do financeiro é de ver a apatia do meu marido em relação a isso. Estamos juntos há 16 anos. Desde o início do nosso casamento eu quis ter filhos, mas na época ele NUNCA falou sobre isso comigo. Certo noite eu pedi a ele para engravidar, tínhamos uns 2 ou 3 anos de casados, ele simplesmente disse que não era o momento por questões financeiras. E morreu o assunto. Respeitei tomando pílulas. Nosso casamento sempre foi e ainda é muito conturbado pois temos questões psicológicas e ele é militar, sempre tivemos e temos muitas brigas, de uns anos pra cá melhorou, mas ainda é frequente. Em 2011 resolvi entrar no assunto e exigir uma resposta, pedi que tentássemos, e ele aceitou. Daí pra frente muitas tentativas e nada. Fomos a muitos médicos, fizemos muitos exames e não temos nenhum problema aparente. Embora estávamos tentando, nunca percebi nele iniciativa nem pra falar sobre esse assunto. Nada me tira da cabeça que ele não tem certeza se realmente quer isso. O medo é maior. Reparo muito nisso. Mas sinto que ele “tenta” só por mim, para reparar a omissão e negligência dele sobre o meu sonho. Hoje me sinto tão perdida, nossos pais são indiferentes com nós, são distantes, nunca participaram de NADA em nossas vidas. Então não tenho NINGUÉM pra falar sobre isso. Não consigo descrever tudo que tenho passado comigo mesma e com tudo que sinto. Então acho que estou trabalhando a ideia de não tentar mais. De não fazer FIV por esses motivos. Ou seja, não acredito que meu marido queira mesmo ter filhos, vejo detalhes do que as vezes ele diz que não me dão segurança de dar esse passo tão importante pra mim. Pra que vou desembolsar 15 mil que não temos pra dar uma passo que não tenho certeza que ele quer de verdade?! Alguém que nem sequer conversa comigo sobre o assunto?! Estamos juntos há 18 anos, sendo 16 casados. Eu já tenho 38 anos e ele 40. Sinceramente? Acho que estou realmente abrindo mão disso e seguindo minha vida. Fora que como eu mencionei anteriormente, ele é extremamente transtornado. Sempre foi uma luta esse casamento, muitas brigas inúteis devido a grosseria dele, ignorante, estúpido… mas eu tenho dado chança pra nós pq o amo! Ele está fazendo tratamento psicológico, mas ainda assim, tenho toda essa luta com uma pessoa emocionalmente instável. Tenho receio de ter mais alguém convivendo num lar conturbado e que eu passe uma gravidez vivendo momentos de angústia por causa de grosseria do marido que não se segura antes de tratar mal, dar patada e etc… enfim, meu desabafo, pois a verdade é que acaba sendo melhor desabafar com estranhos que podem ver de outro ponto de vista e não julgam, do que familiares distantes que nunca fizeram nada de bom a mim e que são mestres em julgamento. Se vc puder me dizer sua opinião sobre isso, seria um bálsamo pra mim.

  2. Lílian Responder

    Oi, Pri, sempre trazendo empatia e reflexão sobre os temas. Já ter um filho, o fato de tentar e não conseguir o segundo pode até atenuar o luto de das perdas, mas não é suficiente para não senti-los como dor legítima, apesar de achar que ela nunca vai passar, ler o mito 1 me reconforta um pouco. Obrigada! <3Bjs

    1. Pri Portugal Responder

      Fico muito feliz, Lílian <3. Também estou nesse mesmo processo de entender se é hora de parar. Estamos juntas.

  3. Lilian Responder

    Mais um texto com empatia e auxílio. O fato de já ter um filho pode até amenizar a dor das perdas na tentativa do 2º filho, mas não faz com que a dor não exista e que pereça que não irá passar nunca, por isso o mito 1 me trouxe um pouco de conforto. Bjs <3

  4. Janaína Ribeiro Responder

    Boa noite, Pri!
    Bom estou totalmente perdida.
    Meu sonho sempre foi ter filhos e para isso lutei com unhas e dentes, só que tive que me deparar com 8 abortos e se não bastasse tive duas gestações ectópicas onde perdi as duas trompas.
    Em janeiro passei por uma FIV pra tentar mais uma vez ter meu tão sonhado bebê e infelizmente mais uma perda. O que dói e saber quem nos exames que eu e meu marido realizamos não foi detectado nenhuma anormalidade. Agora não sei o que fazer pois a vontade de gerar não morreu mais minha idade e outras questões como a financeira estão vindo contra o meu sonho.
    A dúvida agora me ronda e apesar de todo o sofrimento digo á todas que não me arrependo de nada pois sonhei e me vi mãe por algumas semanas e isto não teve preço.

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Janaína, eu sinto muito por todas as suas perdas. Sinto muito orgulho quando converso com mulheres fortes como você e vejo o poder que toda mulher tem e nem sempre sabe. Também tentei tudo o que pude e, quando parti para essa última fertilização, foi muito no intuito de saber que eu tinha feito tudo o que estava ao meu alcance: esse peso eu não queria carregar. Vc fez tudo o que podia e isso já conforta o coração. Duas perguntinhas apenas: 1. vc considera adoção ou não sente isso no seu coração? 2. vc já investigou essas questões? http://www.cademeunenem.com.br/entrevistei-o-medico-causas-da-minha-infertilidade/ Bjinho e fique bem, Pri.

  5. Nathalya Responder

    Me senti muito melhor ao ler esse artigo, estou apenas começando essa jornada e não está sendo nada fácil para o meu psicológico, e através desse artigo pude sentir que caso nada dê certo estarei confortável em seguir em frente, muito obrigada!

    1. Pri Portugal Responder

      Fico muito contente, Nathalya. Lembro que quando me deparei com esse artigo da Resolve saí com o coração aliviado também e soube que no momento em que chegasse meu limite, era hora de parar de tentar e seguir em frente. Eu só não parei na época porque sentia que precisava fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para não me arrepender depois. Fique bem e sinta-se abraçada. Bjinho, Pri

  6. ALESSANDRA CARVALHO Responder

    Tomei a decisão ontem de tentativas frustradas tratamento sem sucesso uma inseminação frustrada entendi não posso ter filhos biológicos e não culpo ninguém não estou revoltada com Deus nem nada so etendi não há mais nada a fazer os quarenta anos estão aí perdi todas as esperanças e desistir. O que vou fazer ainda não sei mas é vida que segue porque Se Deus ainda não me levou tem um propósito pra mim esperando o dia de saber qual é

    1. Pri Portugal Responder

      olá, Alessandra, bem-vinda ao Cadê, espero que tenha se sentido acolhida. A meu ver, essa decisão é muito difícil, mas requer muita coragem. Sinta-se abraçada e receba minha força para essa sua nova jornada. Bjinho, Pri

  7. […] E mais: pode desistir. Nunca falei para uma leitora “não desista” porque acho esse o conselho m... cademeunenem.com.br/dia-das-maes-pode-chorar
  8. Danielle Corrêa Responder

    Pri Portugal, tudo bem?
    Pra ser sincera nem sei como cheguei aqui direito rsrs
    Mas encontrei esse texto maravilhoso sobre o tempo de desistir e me ajudou a tirar uns pontos da minha cabeça. Há quase 5 anos tento engravidar. O sonho de ser mãe é algo latente em mim desde que me conheço por gente rs No primeiro ano foi tudo bem…no segundo nem tanto…e hoje a dor de não conseguir as vezes é insuportável. Já fiz todos os tratamentos possíveis…Infelizmente não posso ir além com tratamentos mais caros porque minha situação financeira não me permite. E, por motivo pessoal, adoção não é uma opção pra mim. A pressão imposta tanto por mim quanto pelas pessoas em volta as vezes me sufoca e, sinceramente, depois desses anos tem me feito mal. Pra completar rs Eu e marido perdemos nossa casa e estamos morando agora com meu sogro (o qual não é nada legal). Ou seja, se tudo já estava contribuindo pra eu desistir agora mesmo que deu vontade. Meu marido é contra. E toda vez que toco no assunto da possibilidade brigamos. Infelizmente, não é fácil pras pessoas entender a dor, o sofrimento que passamos…desistir pra mim parecia sinal de fraqueza até o momento que li esse texto. Ainda estou definindo minhas decisões (pra não me arrepender), mas seu texto me ajudou um tanto mais no caminho. Muito obrigada! E ganhou mais uma seguidora!

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Danielle, seja bem-vinda ao Cadê. Fico contente que o texto tenha te inspirado. Ele também chegou a mim em um momento em que precisava dele. Nada acontece por acaso. Sempre me incomoda quando leio “conselhos” que dizem “nunca desista” para as meninas que estão tentando engravidar. Por que não, afinal? Cada um sabe o limite da sua dor, não é mesmo? E esse texto é bonito porque mostra que é possível seguir em frente, sim. Esse depoimento aqui também é muito lindo. Eu conheço a autora e ela é uma mulher maravilhosa e muito feliz: http://www.cademeunenem.com.br/eu-cuidei-de-sobrinhos-filhos-de-amigos-afilhados-mas-meu-maior-anseio-era-ter-a-barriga-e-amamentar-nao-tive-e-aprendi-a-respeitar-o-destino/ Fique bem. Bjinho

  9. […] considerar adoção, ovodoação, tratamento invasivo… E é preciso ser flexível até para de... cademeunenem.com.br/disciplina-e-flexibilidade
  10. […] força que não podemos controlar, só podemos “dar uma forcinha” fazendo nossa parte. E aí, co... cademeunenem.com.br/segundo-filho
  11. Bia Responder

    Olá Pri, tudo bem?
    Estava indo dormir quando resolvi pesquisar sobre relatos de casais que desistiram de engravidar. Eis que apareceu seu texto na busca. Nada é por acaso! Tentamos “naturalmente” por 2 anos, depois procuramos uma clínica de fertilização e tentamos por mais 1 ano e meio. Foi o processo mais doloroso que eu já vivi, mas ao mesmo tempo importante para eu me conhecer melhor. Saber o que sou capaz de enfrentar e também saber reconhecer o meu limite. Apesar de “ter desistido” ser uma resolução do momento , eu não me dei tempo e também não me dei um “nunca”. Por ora não quero engravidar, e não pergunte por quanto tempo, é somente a decisão do momento. Pois é, tenho quase 40 anos, a cobrança externa é enorme. Paciência, estou lidando com isso também e procurando me apegar em tudo que me faz feliz! Obrigada pelo texto inspirador! Grande beijo

    1. Pri Portugal Responder

      Fico contente que tenha se identificado. Me fiz essa pergunta centenas de vezes no meu processo e ela é muito válida. Sou supercontra quem diz “não desista” pq cada uma sabe seu limite, né? Força e muito amor pra vc. Bjinho, Pri

  12. Gi Responder

    Oi Priscila, adoro seu blog e me fez entender muita coisa.
    Eu já tenho filhos do casamento anteior, e neste casamento já são 5 anos de tentativas, dentre elas 2 FIVS, inumeros coitos programados e todo ciclo com detector de ovulação (imagine o quanto gastei). Resultou em 2 gravidez de forma natural, uma com aborto retido com 8 semanas e outra abortamento natural com 7 semanas. Uma com 43 e outra com 45 anos. Até que depois disso, resolvemos parar, pela nossa sanidade mental. Climatério bateu forte agora com 46 anos, e para selar que parei, iniciei a terapia de reposição hormonal, pois os sintomas estavam me fazendo enlouquecer e também entrar em depressão.
    É o sonho não realizado, mas me acalma saber que tentamos de tudo, e que já sou mãe, então frente a outras mulheres eu não deveria reclamar. Mas tem coisas que não dependem de nós. Acredito em uma força maior que determina isso.
    Abraços

    1. Pri Portugal Responder

      Oi, Gi, bem-vinda ao Cadê. Fico contente que tenha se sentido acolhida aqui. Que sua entrada no climatério seja suave e bem orientada por um bom médico. Fico feliz de saber que o site te ajudou nesta caminhada e que você segue serena curtindo seus filhos. Obrigada por dividir sua história aqui. Bjinho, Pri Portugal (criadora do site)

  13. Amanda Responder

    Olá Pri, eu busquei a maternidade por 5 anos. Após esses anos e 2 abortos, investigações de todos os tipos, decidimos fazer FIV. Engravidei de primeira, um casal. Qdo completamos 26 semanas, optamos por fazer uma cesárea pq minha menina estava sem líquido e achamos que essa decisão salvaria os 2. Após 18 dias minha menina faleceu e meu menino com 21 dias. Nunca saberei se tomamos a decisão certa. No momento temos outros embriões congelados, mas meu esposo não quer nem pensar nisso, ele ama crianças, me sinto culpada de não dar filhos a ele. Eu estou em um luto, uma dúvida do que fazer, tem 7 meses q tudo ocorreu. Pensar numa gravidez me dá muito medo. Foi muito duro ir 2 vezes no cemitério, foi duro ele ter que reconhecer o corpo deles… é surreal. Por isso tudo tenho pensado em desistir, mas fico com receio de viver uma vida vazia, sem alegria, não consigo visualizar minha vida sem filhos. Sei de mulheres que passaram por coisas muito piores e não desistiram. Eu espero enxergar as coisas lá na frente e tomar a melhor decisão.

    1. Pri Portugal Responder

      Oi, Amanda, bem-vinda ao Cadê. Eu te desejo muito amor e muita força. Ninguém deveria passar pela dor que você passou e eu sinto muito. Infelizmente demorei para ver sua mensagem e já se passaram quase dois meses. Como vc tem vivido esse luto? Eu penso que cada um sabe das suas dores e nos basearmos nos outros que não desistiram é muito delicado: cada um sofre de uma forma, se recupera de uma forma e encontra ou não forças para tentar novamente… eu te desejo serenidade para pensar a respeito. Ter os embriões congelados, de certa forma, tira a “pressa” da decisão, estou certa? Me escreve no e-mail que estou te mandando agora se quiser conversar. Bjinho, Pri

  14. Vivian Responder

    Tô pensando em desistir e me desculpa a sinceridade nada q me digam me faz sentir melhor todo mês é uma tortura não sei oq e pior desistir ou continuar sofrendo a cada menstruação…..acho admirável quem consegue superar …..mas não vejo luz no fim do túnel!!!! Sempre tem um filme q te faz pensar ou alguém q pergunta alguém de perto q fica grávida e vc pergunta pq nunca chega minha vez? Depois de uma perda fica um buraco q nenhum hobie ou distração consegue tampar!!e novamente perdoem meu desabafo

    1. Pri Portugal Responder

      Não precisa pedir desculpas por desabafar. A gente PRECISA desabafar. Tirar o nó do peito. Encontrar pessoas que vivem a mesma situação. O site foi criado em 2016 justamente para isso. Se vc reparar aqui no site, Vivian, eu nunca falo para as leitoras “não desista” pq justamente penso que cada uma sabe os seus limites. Na minha história de vida, eu parti para o processo de adoção (porque ele falava ao meu coração e não porque acho que as pessoas DEVEM fazer isso, sabe? Mas na minha vida fazia sentido) e por um bom tempo desisti de engravidar. Foi uma leitora aqui do Cadê que me indicou um médico de uma especialidade que eu nunca tinha consultado (dá uma olhadinha lá no meu Diário que eu conto tudo) e ele trouxe meu diagnóstico e um tratamento eficaz. Aí, sim, voltei a acreditar que seria possível e que faria mais 3 FIVs na sequência, pronta para “dar errado”. Por sorte, destino, Deus, milagre ou chame como quiser, deu certo. Mas poderia não ter dado. E aí eu realmente teria desistido. Meu limite estava batendo à porta. Muita força e muito amor pra vc. E, sim, pode desabafar aqui sempre que quiser <3

    2. Daiany Pereira Responder

      Oi Vivian , tenho esse mesmo sentimento que vc! Não tem como comparar/ preencher com nada . Sou mãe de um menino de 9 anos e há 7 anos estou tentando , sou fértil , saudavel jovem , Mais nada disse faz com que eu mantenha uma gravidez . Tive 7 abortos nesses 7 anos de tentativa , foram 8 bebês que me fizeram acreditar que seria possivel . Ouvi muito que foi “bom” que estava no começo, e que “ainda bem” que eu ja tenho um filho ou que, eu sou nova e posso tentar novamente . Entrei numa depressão mas acreditando que seria possivel gerar novamente . Tenho minhas dúvidas se devo tentar novamente ou não, mais costumo dizer que se essa vontade arde tanto no meu coração significa que devo insistir ! estou sendo acompanhada por um hematologista maravilhoso que esta me apoiando e me dando esperanças , não será facil , mais quem disse que seria? ja vivi muitos sofrimentos e não quero desistir agora ! creio que será recompensador ! Acho que quando chegar a hora de desistir saberemos . um grande beijo e boa sorte para nós !!

      1. Pri Portugal Responder

        Eu sinto muito por toda a sua dor, Daiany… Que bom que vc está com um hematologista. É fundamental investigar todas as possíveis causas de trombofilia, pq ela pode ser adquirida, sabe? Dá uma olhada aqui:http://www.cademeunenem.com.br/entrevistei-o-medico-causas-da-minha-infertilidade/
        Bjinho, Pri

  15. […] Com um olhar para o novo. Com o coração aberto para tentar novos caminhos. Ou simplesmente para pa... cademeunenem.com.br/outono-novos-ciclos

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