“Com a Síndrome dos Ovários Policísticos não pude engravidar naturalmente. Ao invés de fazer uma FIV, preferi adotar e sou completamente realizada”

Tive apenas dez segundos para decidir se seria mãe. Mas essa é uma longa história. Em 2012, após dois anos tentando engravidar, meu médico disse que isso seria impossível de forma convencional, pois eu tinha Síndrome dos Ovários Policísticos. E olha que eu tinha tomado indutor de ovulação por oito ciclos! Com esse diagnóstico, eu teria que fazer uma FIV. Eu não tinha dinheiro para custear uma fertilização in vitro e o médico fez meu encaminhamento para tentar pelo SUS, mas mesmo assim eu teria que arcar com a maioria dos exames e alguns medicamentos.

Sofri muito com esse diagnóstico. Fui para casa arrasada. Chorei durante toda a viagem de 80 quilômetros para chegar do consultório até em casa. Lembro que foi no mês de julho para agosto de 2012. Combinei de encontrar com meu esposo no supermercado e falei para ele que não eu não podia engravidar por causa dos Ovários Policísticos. Também disse que não queria fazer uma FIV e ele respeitou. Chorei mais algumas lágrimas, mas decidi naquele dia mesmo que iria adotar.

Passei um ano amadurecendo a ideia da adoção, sem contar para ninguém. Foi um importante processo interno. No final de 2013, falei com meu esposo. Pedi para que ele também pensasse durante um ano e também me informei mais sobre o assunto. Foi então que demos entrada na documentação.

Levamos mais um ano para entregar documentos, fazer o curso exigido pelo fórum e as entrevistas com assistente social e psicóloga. Em 09 de março de 2016 me ligaram me informando que o nosso processo tinha sido aprovado e que tínhamos entramos no Cadastro Nacional de Habilitados para Adoção. Eu nem lembrava mais dos Ovários Policísticos.

Aí eu pensei: agora vai demorar uns dois ou três anos para conseguirmos nosso pequeno ou pequena. É o tempo de eu passar em um concurso e me organizar financeiramente. Mas no dia seguinte recebo uma ligação surpreendente: meu bebê estava disponível e era para buscá-lo naquele dia mesmo! Confesso que passou um filme na minha cabeça de tudo o que eu estava planejando fazer e de tudo o que eu poderia perder se aceitasse aquela criança. Ser mãe era mesmo tudo o que eu queria? Que loucura! Mas eu respondi: ‘sim, é claro’.

Eu não tinha nem um sapatinho de bebê para começar o enxoval. Não tive como preparar porque no cadastro da adoção, eu tinha pedido uma criança de zero a cinco anos, e que podia ser menino ou menina. Como foi muito rápido, conversamos com a juíza e ela nos autorizou a conhecer e visitar o pequeno por cinco dias. Foi o tempo de montar o enxoval e arrumar um quartinho.

Antonia Cristina Souza Melo - SOP e adoção

Dia 16/03/2016 chegou meu príncipe Joel, com 7 meses, lindo de morrer! A família toda veio conhecer e todos abraçaram imediatamente o meu pequeno como um integrante da família. Hoje, estamos simplesmente apaixonados por ele. Meu esposo fica louco para chegar logo em casa e ver o pequeno. E pontualmente às 18:30 o menino fica todo impaciente esperando pelo pai. Comigo é um carinho só. Deus caprichou tanto que temos até a mesma manchinha na pele, debaixo do braço esquerdo.

A maternidade é assim: quando você menos espera aparece um anjo em suas mãos.
Hoje já temos um ano e sete meses de muito amor e muitas situações em que Deus mostrou a força de uma família unida. Existem muitas formas de maternidade, mas todas nascem no coração. Ser mãe de um ser que não veio de você tem um brilho especial e eu sou completamente realizada. Se pudesse dar um conselho a vocês seria: abram seus corações a essa ideia e adotem uma criança”.

 

Antonia Cristina Souza Melo‎ , 32 anos, mãe do Joel, de 2 anos

 


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