O que eu quero para o futuro das mulheres que desejam engravidar

Nesse período eleitoral, não importa de qual lado estejamos, todos nos pegamos pensando sobre nossos sonhos e desejos para o futuro do Brasil. E como me disse uma amiga esses dias, “todos queremos ser felizes e ter um país melhor, né, Pri?”. Pois é.

Mas puxando a brasa pra nossa sardinha, aqui no Cadê Meu Neném?, me peguei esses dias pensando em como sou grata e em como sonho que todas as mulheres que desejam engravidar possam ter as mesmas oportunidades. Não digo isso apenas porque consegui engravidar depois de sete anos, não. Nem porque o Cadê me realiza profundamente, a cada novo e-mail com mensagens como “eu achava que estava sozinha” ou “seu site me trouxe esperanças”. Mas falo em acesso e apoio mesmo.

Em primeiro lugar, eu moro em São Paulo, cidade em que estão alguns dos médicos, laboratórios e hospitais mais preparados e estruturados do Brasil. Isso me traz conforto. Admiro muito as meninas que me escrevem contando que viajam para encontrar bons médicos, que fazem FIV à distância, viajando dia sim, dia não para fazer o acompanhamento. Não deve ser fácil enfrentar esse tratamento com uma estrada no meio e elas são muito guerreiras. Então, meu primeiro desejo para as mulheres que desejam engravidar é que elas tenham ao seu alcance (geográfico, mesmo) um bom médico, um bom laboratório, um ótimo hospital.

Em segundo lugar, como você sabem, eu sou jornalista. Minha vida é basicamente pesquisar, ler e escrever. E, com isso, dificilmente aceito uma primeira resposta. A lição básica de um jornalista é: mantenha-se curioso e desconfie sempre. Foi o que me levou a tentar outros médicos, insistir por um diagnóstico, brigar por exames feitos de forma mais humanizada e menos dolorida. E não me contentava com um “você vai ter menopausa precoce” ou com um “fertilização é assim mesmo, vamos tentando até conseguir” ou com um “é só desencanar que vem”. Esse não-conformismo, aliado à minha intuição e minha busca por informações, me trouxe até aqui. Sei que não é todo mundo que tem tempo de pesquisar artigos científicos nem autoconfiança suficiente para ouvir o próprio coração (logo abaixo conto das minhas suspeitas), então sou grata por essas oportunidades e esse é meu segundo sonho para as mulheres que desejam engravidar.

Sobre ouvir o próprio coração, mais uma vez me sinto privilegiada porque sempre tive apoio de família, marido e amigos. Escuto cada história de cortar o coração, gente. De marido que mente para a esposa depois de ter feito vasectomia, de sogra que coloca a culpa na mulher, de médico que diz “futura mãezinha, é só você relaxar”, de “amigas” que ficam fazendo comparações, não sentem o mínimo de empatia ou até soltam algum veneno quando a mulher acena a opção de adotar… tenho vontade de passar uma borrachinha sobre essas pessoas. Ouvir a intuição – a meu ver – é um misto de se empoderar de autoconfiança e informação, de se autoconhecer e, sim, de ver suas ideias apoiadas por alguém que você ama. Desejo, acima de todas as coisas, que todas as mulheres que desejam engravidar tenham direito a isso.

Por fim, mas não menos importante, sabemos que grande parte dos bons médicos, hospitais e laboratórios custa MUITO caro e que bem pouca gente tem acesso a eles, o que também corta meu coração. Lembro que quando fazia minhas aplicações de Intralipid (entenda) sempre era bem acolhida, tinha uma salinha com cama e uma poltrona pro meu marido ficar junto e até TV. O Intralipid é aplicado na veia, então precisa ser feito bem devagarinho e dura cerca de duas horas. Esse conforto era fundamental para alguém que já estava ali muito fragilizada e com medo de agulha (sim!). De quebra, sempre vinha alguma enfermeira conversar, perguntar como eu estava. Uma delas, em especial, se chamava Cibele e era minha favorita: ela tinha tido um diagnóstico bem parecido com o meu e já tinha seu filhinho. Ela pegava na minha mão e dizia que tudo daria certo. Ela nem deve saber, mas fez uma diferença ENORME naquele momento. Carinho, atenção… tudo isso é fundamental quando estamos cuidando da nossa saúde, e eu desejo do fundo da minha alma que todo mundo que trabalha com fertilidade e reprodução assistida saiba disso. Não tem tecnologia de ponta que seja mais poderosa que o acolhimento nessas horas.

Mas, sim, tecnologia, excelente laboratório, ótimo geneticista, médico especialista superatualizado, hospital confortável, tudo isso ajuda demais. Vou falar uma coisa muito triste aqui, mas muito verdadeira: eu havia perdido toda a confiança nos médicos. Sim, em todos. Parece bizarro, mas era o que eu sentia. Quando descobri pessoas que fizeram diferença na minha vida, que me trataram, me curaram, eu entendi que pode custar mais caro, pode ser mais longe, o plano pode não cobrir. Mas a paz de espírito que aquela pessoa me transmitia não tinha preço. Na verdade tinha, e eu era muito privilegiada de poder pagar, porque sei que são muito poucas que têm condições financeiras de fazer consultas, tratamentos e exames particulares. Nessas horas, eu sentia que era “o caro que saía barato”, sabe como? Porque eu seguia cegamente o que o dr. Ricardo (saiba mais dele aqui) me dizia pra fazer. E sabia que estava fazendo a coisa certa. Vejam – essa não é uma matéria jornalística, é um depoimento, então estou contando da minha experiência. Desejo que, um dia, todas possam pagar por uma assistência médica assim.

Por fim, desejo que toda mulher que consiga sua tão sonhada gestação continue a ter suporte, carinho e confiança na família, no marido, nos amigos e nos profissionais que vão acompanhar o pré-natal. Brinco sempre que estou tendo uma “gravidez de Hollywood”, porque graças à deusa não tive um mal-estar, uma indisposição, uma irritação. Raul cresce belo e saudável na minha barriga e já passou do oitavo mês (sim, ele vem mês que vem, gente!).

Eu, num misto de pesquisa e intuição novamente, encontrei a dra Andrea Grieco pelo Instagram (dá para acreditar?) e me encantei com ela desde a primeira consulta. Foi com ela que ouvimos o coração do nosso bebê bater pela primeira vez e é pelas mãos dela que eu desejo que ele nasça. Em cada consulta, reforçamos nossa confiança, pois sempre que começamos uma pergunta ela completa nossa fala – parece que até adivinha o que queremos saber. E isso é muito reconfortante. Como sonho em ter um parto natural e humanizado, é fundamental que eu tenha essa confiança nela. E eu tenho. Não poderia desejar nada diferente para você, leitora que engravidou ou está em vias de.

Que nosso futuro seja repleto de oportunidades, acesso, condições financeiras, apoio, acolhimento, autoconhecimento e confiança. Isso é o que desejo para todas as leitoras do Cadê e todas as mulheres que desejam engravidar.


3 thoughts on “O que eu quero para o futuro das mulheres que desejam engravidar

  1. Carolina Responder

    Que texto acolhedor! Te acompanho há algum tempo e fiquei muito feliz com o seu positivo. Sigo na minha luta há 3 anos, também fui a uma imunologista, mas nenhum problema foi encontrado nessa área. Devo fazer nova tentativa em janeiro, se Deus quiser, a última! Bjs e muita saúde pra vc e pro bebê. 😍

  2. Lílian Responder

    Muita grata por teres feito o “Cadê meu neném”, já falei isso antes, pois por meio dele recebi teu acolhimento mesmo estando longe de mim e por também ter conhecido o Dr Ricardo que me proporcionou um diagnóstico correto e tratamento com atendimento para lá de especial da Cibele. <3 Bjs

    1. Pri Portugal Responder

      <3, Lílian, sempre querida.

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