05 de março de 2018

Querido diário, quando a gente resolve fazer uma FIV novamente, sabe que vai passar novamente por um processo doloroso. Fisicamente, emocionalmente e financeiramente. Que vai enfrentar seus fantasmas, juntar forças sabe-se lá de onde e buscar aquele restinho de esperança que estava escondido em algum canto da alma.

A gente já sabe que pode dar errado – afinal, já deu da outra vez – e imagina que está preparada para todos os nãos do caminho. “Dessa vez vai ser diferente. Eu não vou transformar cada ultrassom em um não. Eu não vou sofrer antes da aspiração dos óvulos porque sei que até lá tudo pode mudar. E nem depois, afinal, mesmo se eu tiver ótimos embriões pode ser que eles não evoluam até o quinto dia para poderem ser implantados. Eeeee se forem implantados pode ser que não fixem no meu endométrio. Então vou ficar fria até o dia do beta”.

A gente repete esse discurso mentalmente todos os dias. E também repete para as pessoas que nos amam e estão na torcida. Minimiza as conquistas (“são SÓ 3 óvulos, mas eu já sabia. Tenho má resposta ovariana”) e faz pouco caso das derrotas (“os 3 estavam maduros, mas apenas 2 fecundaram. Dos 2 apenas 1 chegou ao segundo dia. Dane-se!”).

Mas no fundo (sabe, diário?), ali na hora do banho, escondidinha, a gente sente o coração sangrar. Porque não é tão simples assim.

O que resta, hoje, é acreditar no bom e velho “se for pra ser, vai ser”. Porque definitivamente não está nas nossas mãos. E, assim como o único embrião restante, é preciso sobreviver até quinta.

 

*Esse texto já foi ao ar durante minha FIV, mas resolvi repetir porque ele dá sequência aos episódios semanais do Diário da Minha Não-Gravidez.

**Se você tem acompanhado o Cadê vai notar que esse post está bem atrasado e que já tive meu positivo <3. Mas achei válido dividir o episódio do diário de hoje porque você pode estar vivendo esse momento e se identificar com alguém que passa pela mesma dor sempre alivia o fardo. Mas se quiser acompanhar a história toda no diáro, com começo, meio e fim, clique aqui.

Ah, e se tiver uma história para me contar, me procure na página do Cadê no Facebook, clicando aqui.


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