Da culpa de não ser mãe

Existe uma frase bem conhecida que diz: “nasce uma mãe, nasce uma culpa”. E eu inclusive a uso bastante com minhas amigas, afinal, como uma verdadeira expert no assunto culpa, aprendi a detectar e tentar tira o peso dela das pessoas que eu amo. Sim, porque se tem um sentimento que não leva a lugar nenhum, esse sentimento é a culpa. Pior que vingança de novela. Pior que preguiça. Pior que raiva. Porque a culpa geralmente é sobre algo que já passou e não temos como modificar. Ou sobre algo que, muitas vezes, não está nas nossas mãos. A não ser que alguém invente uma máquina de voltar no tempo.

culpa - de volta para o futuro

Acontece que eu discordo da frase que abre esse post. A culpa começa antes mesmo de nos tornarmos mães (e pais). E ela nos atormenta diariamente. Quantas meninhas já me falaram que se sentem culpadas por não engravidar. Quer ver? Eu deveria emagrecer para engravidar. Eu deveria parar de beber aos finais de semana. Nós deveríamos transar todos os dias esse mês, por mais cansados que estejamos. Eu deveria ter tomado aquela vitamina ontem. Eu não deveria ter esquecido esse medicamento na viagem de fim de semana. Gente, não está nas nossas mãos!

Agora pare e repare no que essas frases todas têm em comum.

Parou?

Descobriu?

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Culpa, ou o poder do verbo deveria

Sim, o verbo “deveria”! Acreditam que eu nunca tinha reparado nisso? Percebi hoje de manhã, quando meu marido me mandou esse artigo aqui, em que a psicóloga Ashley Smith fala sobre o quanto a palavra “deveria” é problemática. Isso porque ela sempre carrega um julgamento negativo.

Quando falamos para nós mesmos, ela diz, frases como “eu deveria ser como os outros” ou “eu não deveria errar” ou “eu deveria gostar de academia”, a gente tem uma sensação de falha, que nos traz ansiedade ou culpa. Afinal, né, gente?, ninguém é infalível! E quando usamos o deveria em relação a outras pessoas? “Ela deveria saber como eu me sinto”, por exemplo. Nestes casos, o “deveria” representa uma expectativa que tivemos da pessoa sem que, muitas vezes, ela sequer desconfiasse.

Falar para outras pessoas também é uma má ideia. Levante a mão aqui quem nunca ouviu um: “você deveria desencanar se quer engravidar”. E quem nunca se sentiu culpada por estar triste, ansiosa e não conseguir pensar em outra coisa? Pode levantar a mão também!

Então, primeira lição para eliminar toda essa culpa, que nasce antes mesmo de uma mãe nascer, como diz o ditado, o primeiro passo é tentar eliminar o deveria das nossas vidas. Parece impossível, eu sei, mas a psicóloga dá uma boa dica:

“Primeiro, perceba com qual frequência você usa (e ouve) essa palavra. Depois, mude a frase. Tente mensurar se vale mesmo a pena falar e a razão para dizer. Aí, descubra se tem ‘conserto’ ou se é melhor deixar pra lá. Por exemplo, quando você pensa: ‘eu não deveria ter dito aquilo’. Tente descobrir o porquê. Se você se arrepende, use a frase ‘eu gostaria de não ter feito aquilo porque ofendi alguém’. E na sequência, tente entender se você pode pedir desculpas ou então se a pessoa se ofendeu à toa. E se for esse o caso, deixe pra lá. É mais útil pensar assim e você para de se punir”.

Eu adorei e vou tentar adotar essa estratégia. E você?

 

Foto: Flickr/ Wonderlane

 

 


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