A infertilidade masculina precisa ser levada em conta

Eu sei, eu sei: para quem está tentando engravidar há muito tempo, dizer que a infertilidade masculina precisa ser levada em conta parece óbvio, mas para quem está começando a investigar agora, não. E mesmo quem já sabe disso, e que já investigou o fator masculino, percebe que o assunto é um tabu. E não é de hoje: no século 13, um pesquisador inglês chamado Gilbert publicou um Compêndio de Medicina que continha a seguinte frase: “em certos homens, muito espírito procede do coração e pouca umidade do cérebro, e então, nesses homens, há muita ereção do pênis e pouca emissão de sementes”. Sim. Ele se referia à infertilidade masculina.

Mas antes mesmo disso, na Idade Média, para ser mais exata, já se falava de infertilidade masculina. Veja o que diz essa reportagem da revista Superinteressante (leia na íntegra aqui): “Na ‘Trotula’, série de textos sobre ginecologia e obstetrícia escritos no século 12, e que atingiram o auge de sua popularidade mais de 100 anos antes de Henrique II, o autor já afirma que ‘a concepção é impedida tanto por culpa do homem quanto por culpa da mulher’, e que um ‘defeito na umidade do esperma (…) ou testículos excessivamente frios e secos’ poderiam estar por trás do problema”. É claro que, mesmo com essas descobertas, nem se cogitava culpar o homem – se hoje vivemos em uma sociedade patriarcal, imagina na época? – mas a verdade é que já faz tempo que se sabe que existe a infertilidade masculina.

Pulando do século 12 para 2018, ainda não entendo quando algumas leitoras me falam que estão fazendo mil exames antes de seus maridos passarem por uma simples coleta de sangue e um espermograma. Completo, vale dizer: com morfologia de Kruger (afinal, não adianta os bichinhos serem muitos nem nadarem rápido se eles não têm o formato ideal para “furar” o óvulo, falando grosseiramente) e fragmentação de DNA.

Eu já falei aqui (clique para ler) sobre as principais causas e sintomas da infertilidade masculina e nesse link aqui, entrevistei um médico especializado no tratamento de azoospermia. Sim, porque hoje já se sabe que ela não significa que o homem seja incapaz de produzir espermatozoides, mas sim de ejaculá-los.

E como eu contei nessa reportagem aqui para a revista GQ, “especialistas garantem que em 40% dos casos os homens são responsáveis pela dificuldade de o casal gerar um filho, outros 40% correspondem a problemas unicamente femininos, e, nos demais 20%, os dois apresentam questões que impedem a gravidez ou não há razão aparente”. Escrevi também sobre algo importante, descoberto recentemente em um estudo de Harvard: “Com o tempo, tanto a quantidade quanto a qualidade do esperma sofrem alterações. A mobilidade das células sexuais pode cair até 37% em homens de 50 anos”.

Queria chamar a atenção para isso porque MUITAS meninas me escrevem falando que não conseguem engravidar dos maridos, que têm filhos do primeiro casamento e, por isso, carregam a culpa sozinhas por achar que elas são inférteis. Como vocês podem ver, não existe verdade absoluta nesse universo e a infertilidade masculina é muito mais complexa do que parece. Por isso, precisa sempre ser investigada antes que se comece a batelada de exames que são muito mais desgastantes para nós, mulheres.

Ah, e para concluir vale ressaltar: o estilo de vida interfere, sim, na produção de espermatozoides. Homens obesos, por exemplo, têm 3 vezes mais chance de desenvolver azoospermia. Quem se trata com antipsicóticos, antifúngicos e alguns antidepressivos também pode estar comprometendo o funcionamento dos testículos. Por fim, o consumo excessivo de carne vermelha, adoçante e refrigerantes pode gerar espermatozoides com fragmentação do DNA ou com baixa motilidade. “Por outro lado, suplementos como zinco, selênio, vitamina C, vitamina E e ácido fólico deixam o DNA do espermatozoide mais estável”, conclui o especialista em fertilidade Edson Borges Junior. #ficaadica

 

Foto: Flickr/ Phil Parker


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