“Foram 10 anos de espera, três FIVs, azoospermia e trombofilia, mas hoje temos nosso Arthur”

“Foram 10 anos de espera. No início, tentamos por dois anos e nada acontecia, então resolvemos por conta própria fazer um espermograma e lá estava o motivo: meu esposo só tinha 20% de espermas vivos. Foi quando começou nossa corrida. O primeiro médico nos mandou para Porto Alegre para fazermos uma fertilização in vitro (FIV). Então, nos pediram uma biópsia testicular, onde foram encontrados apenas dois espermatozoides, ambos com alterações. Nesse dia, voltamos para casa sem chão!

Passou-se um ano e meio e nós dois percebemos uma diferença no esperma dele, que parecia estar mais consistente. Convenci meu esposo a refazer o espermograma. Dessa vez, o exame mostrou, para nossa surpresa, que ele tinha 60% de espermatozoides vivos, mas apenas 2% eram normais. Não foi a melhor notícia do mundo, mas ali se abria uma porta para buscarmos nosso sonho.

Com esse resultado em mãos, fomos a outro médico, que novamente nos indicou uma FIV. A indução resultou em um número baixo de óvulos e, no final, tivemos apenas dois embriões. Transferimos, mas não deu certo. Agora, era recomeçar do zero. Tudo muito caro e cansativo. Mas dessa vez tivemos sete embriões. Transferimos dois e o restante foi congelado. Estava tão nervosa que no dia de colher sangue para o beta HCG tive a maior febre. E o resultado foi negativo mais uma vez.

Inconformada, pedi aos médicos da clínica que me passassem o pedido de outros exames para investigar o que poderia ter dado errado nessa FIV. Chegou o resultado: “positivo para trombofilia”. Já era uma luz. Dessa vez, quando transferimos mais dois embriões que estavam congelados, comecei a usar injeções diárias de anticoagulante.

Só que tivemos outro problema: o médico só descongelou na hora da transferência, sem verificar a vitalidade dos embriões. Claro, veio outro negativo. O pior é que quando fui conversar com o médico, ele disse: ‘a única coisa que pode ter acontecido é que os embriões não tenham sobrevivido ao descongelamento’. Isso foi um absurdo! Hoje sabemos que, em uma FIV, os embriões precisam ser descongelados pela manhã para serem transferidos à tarde, só depois de verificada sua viabilidade.

Isso nos derrubou e precisei de um tempo para minha cabeça e meu coração, afinal, tinham sido três tentativas em um ano. Quase um ano de pausa depois, resolvemos consultar em outra clínica, em que o médico nos passou um tratamento de seis meses à base de vitamina E, ácido fólico, vitamina C e outras que não me lembro. Quando essa fase terminou, em novembro de 2017, comecei uma nova indução e pedi a Deus que, se não fosse para ser dessa vez, Ele que colocasse alguma pedra em nosso caminho. E adivinha? Doze dias após as injeções de hormônios, fui fazer a retirada dos óvulos. Eram 14, que resultaram em três embriões apenas. Só que meu útero e minhas trompas estavam muito inchados para transferir naquele mês.

Esperamos mais dois meses e voltei à clínica para fazer um procedimento chamado injúria endometrial, indicado para quem tem falha de implantação. Então, no dia 7 de fevereiro, fomos buscar nossos pacotinhos de amor. Eu tinha certeza que estava saindo da clínica grávida. Fiz o beta no 12° dia após a transferência e estava lá meu tão sonhado positivo!

Com 16 semanas de gestação descobrimos que era um menino, nosso Arthur. Tive alguns probleminhas na gravidez, como falta de vascularização na placenta com 22 semanas, diabetes gestacional, restrição de crescimento do feto… mas com quase 36 semanas ele nasceu de cesariana, pesando 2,235 kg e com 46 centímetros.

Só que ele não respirava normalmente: minha placenta já não passava nutrientes para ele como deveria e ele chegou a ser internado na CTI neonatal. Precisou passar 18 dias entubado, com início de pneumonia e icterícia. Foram dias de incerteza, medo e muita fé e oração. Ainda passamos dois dias no quarto, para ele pegar bem o peito e ganhar peso. Finalmente, o Arthur foi liberado para vir pra casa. Foram dias de turbulência, mas hoje ele está aqui, crescendo, perfeito, como sempre pedi a Deus”.

 

Silvani Bublitz, 28 anos, mãe do Arthur, de 2 meses

 


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