“Tirei um ovário por causa de um tumor e a médica me disse que não poderia mais engravidar. Mas o Davi veio naturalmente e entendi que Deus pode tudo, mas na hora dele”  

“Eu me casei com 18 anos. Apenas um ano depois, engravidei da minha primeira filha, a Luísa. Lembro que, na época, meu médico me orientou a tomar um remedinho que estimula o ovário, funcionando como um indutor de ovulação.

Depois da Luísa, fiquei seis anos sem tomar anticoncepcional nem prevenir de outras maneiras, mas não conseguia engravidar novamente. Até que veio meu segundo filho, o Luís Emanuel. E foi quando comecei a ter problemas no ovário.

Tive um tumor do tamanho de um abacate no ovário esquerdo, que foi retirado, e precisei raspar o direito porque ali já havia pequenos tumores que, segundo minha médica, iriam crescer. A médica optou por não retirar também meu ovário direito porque eu tinha apenas 26 anos e era muito nova para fazer reposição hormonal. Só que ela me avisou que eu não poderia mais engravidar.

Eu sei que já tinha dois filhos, mas fiquei triste. Nós, mulheres, não aceitamos essa ideia de infertilidade. Eu queria escolher se iria ter mais filhos ou não, poxa. Além disso, sempre desejei uma família grande. Sofri muito. A família desse meu marido na época tinha tradição de ter bastante filhos: todas as minhas cunhadas tinham de quatro a seis crianças. Lógico que não era uma regra, mas ouvi coisas como ‘Deus tirou seu direito de ter mais filhos’. Isso doeu muito, até que me conformei e segui criando os dois que Deus já havia me dado. E deixei a vida seguir.

Algum tempo depois, eu me separei e foi um período muito difícil da minha vida. Vivi três anos longe dos meus filhos por causa do divórcio. Mudei de cidade e meu ex-sogro não me deixou trazê-los comigo. Foi horrível.

Mas o tempo passou e me casei novamente. Avisei meu atual marido que não poderia ter filhos e fiquei meio mal, porque a gente sempre quer começar um relacionamento sem ter nenhuma falha, né? Mas ele aceitou e até brincávamos com o assunto. Talvez fosse um desejo camuflado… Ficamos três anos sem prevenir uma gestação, já que não era necessário.

Mas engravidei em setembro de 2016, sem tratamento algum. Levei um baita susto porque isso era uma coisa que já não se passava na minha cabeça. Quando soube que estava grávida, vivi uma confusão de sentimentos. Contei ao médico minha história, ele riu e me disse: ‘Renata, você só precisava de um óvulo. Só isso!’. Agora estou aqui, com meu lindinho no colo, depois de uma gravidez inesperada e maravilhosa.

O que quero dizer aqui é que engravidar vai além da nossa vontade. Deus age no inesperado, então não desanimem. Não existe um ‘não’ definitivo e se os tratamentos de vocês ainda não deram certo, não percam a esperança. Deus pode tudo, mas na hora dele. Ele me deu uma vida nova e me tirou do sofrimento de um casamento infeliz. Me deu um marido maravilhoso, paz e a possibilidade de viver com meus três filhos. Hoje só tenho a agradecer”.

Renata Yaros, 34 anos, mãe da Luisa, de 14 anos, do Luis Emanuel, de 8 anos e do Davi, de 2 meses

 


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