“Nunca pensei em ter uma família sem filhos, mas infelizmente aconteceu”

“Nunca pensei em ter uma família sem filhos, mas infelizmente aconteceu. Casei com 22 anos e esperei uns cinco anos para tentar engravidar, pois prezava pela estabilidade financeira. Só que nunca deu certo. Fiz alguns exames e não aparecia nada de anormal. Só não pude fazer a histerossalpingografia, pois ele é feito com iodo e tenho alergia. Meu marido também fez os exames e tudo parecia perfeito.

Eu me trato com o mesmo ginecologista há muitos anos e pensei em até fazer inseminação artificial. Só que fiquei com medo, pois não era 100% garantido. Acabei não fazendo nenhum tratamento, primeiro porque não tenho verba e depois porque tento colocar na minha cabeça que Deus não quis. Sei que isso soa esquisito, mas é o que me consola às vezes.

Passei por muitas coisas ao longo desses meus 18 anos de casada e não tem sido fácil. Atualmente, perdi meu avô, minha avó e depois minha mãe. Então, parei de tentar por algum tempo. As pessoas pensam que eu é que não quis. Acabo me comportando assim como uma defesa contra o interrogatório que todo mundo adora fazer. Dói porque eu sempre tive certeza que teria meu neném.

Em 2013, pensei na possibilidade de adotar e comecei a dar entrada no processo. Fui habilitada em 2016, mas até hoje não fui chamada. Aqui no nosso país tudo é difícil. No ano que vem, quando precisar renovar minha habilitação ainda não sei se vou querer. Acho esse processo de expectativa muito doloroso. Além do mais, quem tem o sonho de ter um filho sou eu. Meu marido nunca quis ter filhos. Ele se mostra disposto a realizar o meu sonho, mas quando aparece algum tipo de dificuldade ao longo do processo, ele entende como um sinal de que não é para ser e realmente não encontro apoio.

Na ficha da adoção, não fiz questão de raça, só escolhi um perfil complicado: o de meninas com até três anos. Eu e milhares de pessoas queremos a mesma coisa. Fico muito triste por ter uma família sem filhos, que me dá uma sensação tão ruim de fracasso… Sempre falava que não queria ser mãe depois dos 30, agora estou com 40 anos e não pretendo ser mãe-avó.

Então, estou trabalhando o meu psicológico para me manter no processo de adoção. Ainda não estou resolvida e sofro com essa situação, pois nasci pra isso. Nunca imaginei minha família sem filhos, mas nem tudo é como a gente quer. Tenho que aprender a aceitar”.

 

 

Renata Muniz, 40 anos


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