“Depois de seis anos tentando engravidar, fiz de tudo para conseguir uma FIV: eu e meu marido até catamos latinha”

“Passei seis anos tentando engravidar naturalmente. Tomei vitaminas e chá de inhame para ajudar a ovular, adotei uma alimentação mais saudável e até fiz simpatias. Eu fazia tudo o que me diziam que funcionava. Depois de um ano, fui atrás da minha ginecologista para saber se era normal aquela demora. Ela me passou alguns exames: tudo normal comigo.  Mas meu marido fez o espermograma, que constatou poucos espermatozoides e com pouca qualidade.

Foi quando resolvi procurar um médico especialista em reprodução humana. E dois, e três… Todos diziam a mesma coisa: que não conseguiríamos engravidar naturalmente. Meu mundo desabou, pois eu não tinha dinheiro para arcar com o tratamento. Eu e meu esposo ganhamos um salário mínimo por mês!

Pesquisei muito e encontrei a Clínica Ideia Fértil, onde o tratamento tem um preço mais em conta para casais de baixa renda. Meu esposo foi diagnosticado com varicocele e teve que fazer a cirurgia antes de tentarmos a fertilização in vitro. Nosso tratamento sairia em torno de R$7.500, mas eu não tinha nem R$100!

O que eu fiz? Uma rifa com alguns presentes que tinha ganhado no casamento e ainda estavam novos. Também não tenho vergonha de falar que, em todas as festas a que íamos, eu e meu esposo juntávamos latinha para vender. A gente até levava uma sacolinha. Chegamos a juntar R$2.000, mas ainda era pouco.

Enfrentamos sol, chuva e frio nesses seis anos tentando engravidar porque tínhamos uma moto na época. Chegamos a não ter R$10 para pagar o conserto do pneu. Foi quando uma amiga minha me disse que conhecia um projeto de doação de óvulos, que possibilitava realizar uma FIV gratuitamente. Logo marquei uma consulta na Clínica IPGO e fui, toda ansiosa e cheia de esperança.

Chegando lá, soube que poderia demorar a aparecer um casal receptor devido ao meu tipo sanguíneo, que é raro. A médica ainda tentou coito programado, mas nada se resolveu. Foi aí que descobrimos que eu ovulava, mas meus óvulos não cresciam naturalmente. Nesse dia fiquei arrasada, mas a médica me disse que eu já poderia iniciar meu tratamento. E lá vinham mais exames e medicações, além das famosas picadinhas na barriga.

No dia da última ultrassonografia antes da punção chovia muito. Eu e meu esposo fomos de moto e, quando estávamos na Rodovia Raposo Tavares, sofremos um acidente: o pneu da moto furou e caímos no chão. Por pouco um carro não bateu na gente. Tivemos alguns arranhões e as capas de chuva rasgaram, mas mesmo assim fomos procurar uma borracharia. Aquilo não ia nos atrapalhar! Arrumamos o pneu e chegamos na clínica molhados e ralados.

Acabei tendo vinte óvulos. Dez eu doei e dez ficaram para mim. Desses, cinco estavam bons e dois viraram blastocistos*. Quando o médico colocou aqueles dois embriões lindos eu já me senti grávida. Assim que soube o dia em que deveria fazer o exame Beta, marquei um almoço lá em casa com a minha família nessa data. Eu disse que era para eles me desejarem sorte porque eu faria a transferência no dia seguinte, mas menti. Foi uma atitude doida essa de marcar um almoço para anunciar a gravidez sem sequer saber se daria positivo ou não, mas depois de seis anos tentando engravidar minha fé era tão grande eu que tinha certeza que ia dar certo.

Lembro que eu e meu esposo pegamos o resultado e abrimos juntos. Quando li aquele POSITIVO quase desmaiei. Nos abraçamos e choramos ali mesmo, na calçada do laboratório. No almoço, então, eu anunciei a gravidez. Foi muito emocionante. Em menos de 10 minutos, pessoas da minha família que eu não tinha chamado começaram a chegar e minha casa ficou cheia como se fosse festa de Natal. Meu marido até soltou fogos. Foi inesquecível.

Nesses seis anos tentando engravidar derramamos várias lágrimas. Eu sofria muito quando chegavam datas como dia das mães, dia das crianças, dia dos pais, Natal… e também quando alguém da família contava que estava grávida ou dizia: ‘Já está na hora de ter um neném, né?’.

Hoje eu falo para todas as mulheres que estão nessa luta: não desistam, não desanimem! Onde houver 1% de chance sempre haverá 100% de esperança. Agora, eu pretendo ter outros filhos. Estou há um ano tentando naturalmente e vou doar óvulos para ganhar o tratamento mais uma vez. E não me importo em passar por tudo de novo”.

 

 

Thais Nogueira Pimentel, 29 anos, mãe da Brenda Vitória, de 2 anos e 10 meses

 

*Um blastocisto é um embrião com 5 ou 6 dias de vida


10 thoughts on ““Depois de seis anos tentando engravidar, fiz de tudo para conseguir uma FIV: eu e meu marido até catamos latinha”

  1. karine Leite Responder

    Chorei de emoção. Historia linda

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Karine, td bem? É mesmo muito comovente esse depoimento <3. Bjinho

  2. Micaeli Responder

    Super emocionada com a história de vocês, são historias como a de vocês que dão esperança e fé pras pessoas, acreditar que em 1℅ de chance há 100% de esperança! Parabéns pela garra, força e fé!

    1. Pri Portugal Responder

      É muito emocionante essa história mesmo, Micaeli 🙂 Seja bem-vinda ao Cadê Meu Neném? Bjinho, Pri Portugal

  3. Karina Responder

    Olá muito feliz com sua história.
    Estou passando por esse processo a 9 anos estive no ideia fértil hoje , me passaram um tratamento de fertilização de 9600 não tenho esse valor .
    Vc pode me informar se eu doar meus avulos se o tratamento sai mais barato?
    Obrigada
    Parabéns

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Karina, bem-vinda ao Cadê Meu Neném? Desejo que se sinta acolhida <3. Olha, antes de partir para a fertilização seria importante saber seu diagnóstico, sabe? Algumas vezes podemos receber a indicação de FIV, mas sequer sabemos o que temos e pode dar errado, como aconteceu comigo duas vezes. Se quiser me contar mais detalhes escreva por favor pro contato@cademeunenem.com.br, ta? Sobre a ovodoação, sim, sai mais barato o tratamento (dependendo da clínica eles nem cobram, mas vc precisa comprar os medicamentos, que são caros). Olha essa história da Pollyanna: http://www.cademeunenem.com.br/entao-fiz-ovodoacao/ Bjinho, Pri Portugal

  4. silbaby10@gmail.com Responder

    Gostei muito da história de vcs estou passando por isso e é muito bom saber de histórias incríveis como a de vcs, espero muito que Deus me abençoe também

    1. Pri Portugal Responder

      Fico contente que tenha se identificado com um depoimento do site, Sil <3. Seja sempre bem-vinda ao Cadê Meu Neném? Bjinho, Pri Portugal (criadora do site)

  5. Cintia Responder

    Que linda a tua história. Emocionada!!!
    Amei o q disse “Aonde tiver 1%chance tem 100% esperança ” .
    Estou na luta também a anos e sonho pelo positivo, mas sei que um dia ele virá.

    1. Pri Portugal Responder

      A história da Thais é mesmo emocionante, fico contente que tenha te inspirado, Cintia. Bjinho

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