“Tinha as trompas obstruídas e só poderia engravidar com FIV, mas não tinha dinheiro. Então, fiz a ovodoação”

“Quando nos casamos, em novembro de 2010, não tínhamos muitas condições financeiras de ter um filho e não sentíamos falta: estávamos felizes e completos como casal. Mas planejamos que com 4 anos de casados já estaríamos mais estruturados e teríamos nosso bebê.

Em abril de 2105, veio o desejo. Achei que depois de 15 dias já estaria grávida, porque foi assim que aconteceu com minha mãe e a maioria das mulheres que conheço. Mas a gravidez não veio em maio. Nem em junho… Tentei engravidar por um ano. Em setembro, a segunda médica que consultei me solicitou mais de 20 tipos de exames. Saí da consulta muito empolgada e pensei: ‘vou fazer estes exames, ela vai me passar alguma medicação e em dezembro estarei grávida’. Novamente estava enganada. Em novembro, fiz a dolorida histerossalpingografia e descobri que estava com as duas trompas obstruídas.

A médica não aceitou fazer a cirurgia para desobstruir porque disse que não resolveria. Saí do consultório chorando incontrolavelmente. Mal conseguia enxergar o caminho. Tentei falar pro meu marido por telefone, mas ele não conseguia sequer entender o que eu falava. Só quem passa sabe a dor que é. Minha única alternativa era a fertilização in vitro. Mas sabia que era muito cara e demoraria uns três anos até conseguir dinheiro para fazer.

Na cidade onde moro, a consulta na clínica de Reprodução Humana custa R$360 e eu não podia gastar esse valor. Então, fui para o Facebook e logo encontrei um grupo de meninas aqui do Rio Grande do Sul. Ali encontrei uma clínica em Porto Alegre que atendia pelo plano de saúde. Soube também que com a ovodoação seria mais barato fazer a FIV.

Em menos de 20 dias tive minha primeira consulta com uma médica especialista. Minhas esperanças estavam vivas novamente. Voltei na clínica na próxima menstruação para fazer a ultrassonografia de contagem dos folículos. Graças a Deus eu poderia ser doadora: tinha 7 folículos em um ovário e 6 no outro, 13 no total. O mínimo para faze a ovodoação era ter 12 folículos.

Para minha felicidade, em fevereiro a médica me ligou e disse que tinha encontrado uma receptora e poderia começar no próximo ciclo a fertilização in vitro. Então, quando a menstruação veio em março iniciei com as medicações. Na primeira compra gastei R$4 mil. Era todo o dinheiro que eu tinha. No quinto dia de indução voltei à clínica. Os folículos estavam crescendo lentamente a médica teve que aumentar a dose. Resultado: tive que comprar mais R$785 em medicação, e depois mais R$835.

Não sabia como eu ia pagar: estava usando todos os cartões e já chorava por medo de não conseguir que os folículos crescessem. Voltei um dia depois e, graças a Deus, na ultrassonografia deste dia os folículos estavam grandes e lindos! Agendamos a punção depois de 12 dias de medicação. Tive 18 óvulos e 12 estavam maduros. Fiquei com seis, e, destes, quatro fertilizaram e viraram blastocistos (embriões de 5 dias). Transferimos dois e congelamos dois. Tinha certeza que ficaria grávida de gêmeos. Meus embriões eram de excelente qualidade, tanto que o médico nem queria transferir os dois.

Passados os 12 dias de espera pelo beta, já saí na segunda-feira de manhã chorando para ir ao laboratório. Sabia que não tinha dado certo, pois os testes de farmácia tinham dado negativo e eu já tinha começado a menstruar. Não sabia o que fazer com as dívidas: estava pagando também o congelamento dos dois embriões que ainda tínhamos. Voltei à clínica dias depois e minha querida médica disse que faria a transferência dos embriões congelados pela metade do valor. Minha mãe me ajudou e me deu todo o valor da segunda transferência.

No dia 5 de julho de 2017 transferimos os outros dois embriões, mas o beta deu negativo. Só quem passa por isso sabe a dor que é receber um negativo de fertilização in vitro, depois de dezenas de testes de gravidez negativos em tentativas naturais. A gente briga com Deus, se revolta, mas logo reúne forças pra seguir em frente. Comprei passagem para visitar minha família em Goiás e, em 15 dias, minha médica ligou e disse que eu poderia recomeçar, graças à ovodoação.

Antes disso, fiz a histeroscopia cirúrgica. A médica encontrou uns pontos vermelhos e suspeitou que fosse endometrite, mas no resultado da biópsia estava tudo ok. Dia 21 de setembro iniciei a medicação para a segunda indução e terceira tentativa. Dessa vez, tive 23 folículos, que se mostraram 20 óvulos maduros. Oito deles fertilizaram e seis chegaram a blastos. Tinha lido no grupo do Facebook alguém dizendo que temos que tomar as rédeas do nosso tratamento e não deixar somente nas mãos do médico. A médica disse que iria transferir somente um embrião, devido ao hiperestímulo que tive. O desejo do meu coração era transferir em ciclo natural (sem preparo do endométrio) e assim fizemos.

No dia 7 de dezembro transferimos dois lindos blastocistos. Estava ainda mais ansiosa e seis dias após a transferência fiz um teste de farmácia e deu negativo. A segunda linha não apareceu. Fui pra cama e fiquei me imaginando fazendo terapia e vivendo a vida sem filhos. Passados uns quatro minutos, meu marido pegou o teste pra olhar e… dessa vez a linha não era imaginária, ela realmente estava lá.

Lembro que eu chorei de felicidade aquele dia! Eram quase três anos esperando por essa segunda linha no teste. Ainda me emociono ao descrever a felicidade daquele dia. E sou grata por tudo que passei. Muitos amigos e amigas choraram de emoção e felicidade ao receber a notícia. Deus é bom o tempo todo, cuidou de mim mesmo nos momentos mais difíceis.

O que fez diferença para dar certo? Minha vitamina D, que estava 14 na primeira FIV, aumentou para 57. Na primeira FIV quase não comia carboidratos porque diziam ajudar na produção de óvulos, mas na segunda indução tomava sorvete sempre que podia, pois li que tem uma gordura que ajuda os ovários. Também tinha lido sobre um medicamento que ajudava em casos de falhas de implantação, pois regula o sistema imunológico para não atacar os embriões. A médica disse que eu não tinha indicação para usar, mas que mal não faria.

Usei também antibiótico um mês antes de transferir, devido aos pontinhos vermelhos que a médica havia visto no meu útero. Fiz tudo que sabia ser o melhor para implantação dos embriões e desejo hoje do fundo do meu coração que cada tentante possa viver este momento”.

Pollyanna Canton, 29 anos, grávida de 16 semanas

 


2 thoughts on ““Tinha as trompas obstruídas e só poderia engravidar com FIV, mas não tinha dinheiro. Então, fiz a ovodoação”

  1. Fernanda langhammer Responder

    Que emocionante seu relato! Sou uma tentante a quase 7 anos,mas tenho certeza que está mais perto do que nunca \o/! Gostaria de saber qual o nome da clínica em Porto Alegre que aceita plano de saúde e a ovodoção? Bjooo

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Fernanda, bem-vinda ao Cadê Meu Neném? Espero que se sinta acolhida <3. A Polly me disse que fez na Clínica Proser com a dra. Noeli. Boa sorte. Bjinho

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