Você sabia que mãe adotiva também pode amamentar? Conheça a técnica da relactação

Uma das maiores dores de quem não consegue engravidar é, além de não ostentar aquele barrigão e sentir um serzinho se desenvolver dentro de você, não poder amamentar. Sim, porque mesmo que o casal decida adotar, as crianças que estão habilitadas provavelmente já estão afastadas de sua mãe biológica há um tempo, e o processo de lactação já foi interrompido. Mas como, então, realizar esse sonho?

Conversamos com a doutora Suzana Beatriz Fucio, odontopediatra e consultora em amamentação para gestantes e bebês, para descobrir se isso seria possível. E, sim, mãe adotiva também pode amamentar. Veja a explicação da especialista: “A lactação adotiva é um processo para induzir a produção de leite materno em mulheres que não passaram pelas mudanças físicas e hormonais de uma gestação, quando pretendem amamentar seu bebê adotivo. Mas como isso é possível? Através do desejo e disponibilidade da mãe e apoio da sua família (necessário ao sucesso de qualquer amamentação) e de um profissional da saúde capacitado em orientar a técnica de lactação adotiva”, diz.

Vale avisar sobre essa sua escolha ao seu ginecologista, que pode auxiliar o processo prescrevendo alguns medicamentos e suplementos hormonais (normalmente estrogênio e progesterona) que contribuem para a produção de leite e solicitando exames de sangue para descartar doenças que impeçam a prática da amamentação. Na sequência, entra em cena a consultoria em amamentação. É como se os remédios simulassem uma gestação no seu organismo e, quando você interrompe o uso (sempre com orientação, gente!), seu corpo lê como a hora do parto. Além disso, alguns medicamentos aumentam os níveis de prolactina, o hormônio responsável pela produção de leite.

Entra em cena a consultora em relactação adotiva

“Nesse momento, já ensinamos como massagear o seio, como realizar a ordenha e como fazer a pega correta do bebê. Essa etapa e necessária, pois o mamilo não estará pigmentado como acontece depois do parto. E ainda pode se apresentar mais sensível sem as transformações mamárias próprias da gestação”, diz.

Suzana explica que a futura mamãe deve estimular as mamas a cada 2 ou 3 horas, intervalo semelhante ao que os bebês costumam fazer durante a amamentação, ingerir bastante líquido, ter uma alimentação saudável e, principalmente, manter a calma. “Ao longo dos dias, algumas gotinhas de leite começarão a aparecer. E com a sucção do bebê, posteriormente, a produção de leite aumentará”, fala.

Assim que o bebê chegar, é importante que ele sugue para estimular a glândula mamária. No entanto, como fazer um bebê gostar de mamar se ele não vê o leite? “É aí que entra a técnica da relactação. Nesse sistema, vale investir em suplementadores importados (uma bolsinha para colocar o leite que vem com um caninho para grudar no seio da mãe) ou adequar uma sonda junto à aréola/mamilo de forma que enquanto o bebê suga o peito ele recebe o leite artificial pela sonda”.

Dá uma olhadinha nesse site aqui que tem vídeo e foto mostrando direitinho como funciona. “Além disso, para gerar o interesse do bebê, pode-se gotejar o leite sobre a aréola com um conta-gotas. Um ambiente tranquilo e o contato pele a pele também ajudam. Através do contato do bebê só de fraldinha com a cabecinha entre os seios da mãe, como se tivesse acabado de nascer, muitos bebês começam a mamar”, explica.

 

Mãos na massa para amamentar seu bebê adotivo

E se prepare para se dedicar de verdade a essa experiência: o estímulo ao seio também precisa ser frequente. Então, coloque seu filhote para sugar ao menos 10 vezes ao dia. Segundo a especialista, as primeiras gotas de leite devem aparecer dentro de quatro a sete dias, e a amamentação plena pode ser alcançada em três ou quatro semanas. E nas mães adotivas a produção de leite segue aumentando ainda até o sexto mês.

É verdade que nem todas as mães conseguem manter um aleitamento materno exclusivo. “Entretanto, é essencial pensar que qualquer quantidade de leite já representa um sucesso. Amamentar fortalece esse vínculo afetivo e alimenta o corpo e a alma de ambos, mãe e bebê”, diz Suzana. Não é lindo?

Agora anote duas dicas bem importantes para a lactação adotiva: aumente sua ingestão calórica e evite o uso de mamadeiras. Sim. Quem acabou de parir tem uma reserva de gordura que dá conta do desgaste físico que a produção de leite gera no corpo, então se alimente. E as mamadeiras são sempre as grandes vilãs da amamentação: é muito fácil para a criança sugar ali, então, por que ela faria o esforço de se alimentar do seu peito? “Quando não puder realizar a relactação, use colher ou copo, conforme sua consultora ensinar, para se sentir segura”, conclui.

Viu como ninguém precisa abandonar seus sonhos?

 

*Para contratar os serviços da profissional, visite a página da doutora Suzana no Facebook.

Fotos: Flickr/ Caitlin Regan e acervo pessoal


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