“Antes de fazer a fertilização in vitro, descobri que só precisava de um óvulo”

“Eu já estava casada fazia uns 4 anos quando me dei conta de que não usava nenhum método contraceptivo e ainda não tinha engravidado. Fiquei um tanto apreensiva, conversei informalmente com minha prima que é médica e ela me aconselhou a procurar um especialista. Achei que era precipitado e então marquei uma consulta com meu ginecologista, que me pediu alguns exames. Todos estavam normais, tirando o fato de que meus folículos não rompiam. Mesmo assim, ele me sugeriu um protocolo de indução de ovulação com um comprido. Fiz uns dois ou três ciclos, mas não deu certo. Então resolvi dar um tempo.

Em novembro, procurei um especialista, o Dr. Álvaro Ceschin, e ele me pediu uma bateria enorme de exames. Fiz todos, mas só tinha retorno marcado para o dia 10 de janeiro. Com todo o agito do final do ano, entrei em uma farmácia e lá estava uma pilha de testes de gravidez em promoção. Sem pensar, comprei um. Ele ficou dias esquecido até que na véspera do ano novo eu resolvi fazer. Para minha alegria, deu positivo. Porém, já no dia 02 de janeiro tive um sangramento.

Fui ao pronto-atendimento e tive outra surpresa: eram dois sacos gestacionais. Foi um misto de sentimentos! Fiz muito repouso e usei progesterona, mas mesmo com todos esses esforços não tive um final feliz. No último sangramento, os saquinhos não resistiram. Foi difícil, mas ainda assim tinha algo positivo: vi que era capaz de engravidar. Eu estava contando os dias para a consulta, que seria um consolo em meio àquele luto estranho.

Chegando lá, encontrei um mar de possibilidades e o fim de qualquer certeza. Meus exames estavam favoráveis, com exceção do meu estoque de óvulos, que estava chegando ao fim. Com os exames do marido estava tudo perfeito. O sentimento era de que eu não tinha mais tempo se realmente quisesse ser mãe biológica. E então a corrida começou.

Segui o protocolo sugerido: três ciclos com induções e medicamentos para engrossar o endométrio e… nada! Um sentimento terrível de incapacidade e uma pergunta ecoava: por que eu? Por que não mereço? Mas eu continuava lá, firme no propósito. Parti para outra fase: uma inseminação artificial. Ficamos animados e eu tinha impressão de que sairia da clínica com meu bebê no colo.

Chegou o grande dia… e foi péssimo! Não passava o cateter, tiveram que pinçar meu útero, senti muita dor. O que era para ser rápido foi muito demorado e sofrido. Mas o propósito era maior, então a dor e o desconforto ficavam pequenos. O grande choque foi quando peguei o beta, que deu negativo. Parece que aquele luto que engoli da gestação anterior caiu na minha cabeça e meu mundo desabou. Foi muito difícil. Parecia que não existia consolo para aquela dor travestida de fracasso e incapacidade…

Passaram-se uns meses, eu sacudi a poeira e dei a volta por cima. Resolvi cuidar de mim. Comecei a fazer academia, fui à nutricionista e fiz luzes no cabelo. Fiz ainda constelação familiar e microfisioterapia, e voltei ao homeopata que estava há uns 2 anos sem minha visita… E foi muito bacana esse reencontro comigo mesma. O homeopata pediu que eu cortasse o glúten e a lactose e disse que eu engravidaria naturalmente. Aquela frase que saía da boca do meu guru da saúde era quase uma garantia para mim. Afinal, com homeopatia ele já tinha me livrado da rinite, dos ciclos de imunidade baixa e das alergias que me incomodaram por uma vida.

Continuei me cuidando e seguindo todas as orientações para uma vida saudável. Quando eu estava me sentindo ótima, voltei ao Dr. Álvaro, o especialista em fertilidade. Eu disse para ele que estava forte para começar novamente. Mas antes de partir para o protocolo 3, que seria a fertilização in vitro (FIV), gostaria de acompanhar dois ciclos: um com ovulação natural e outro testando um hormônio injetável de indução que seria usado na fertilização in vitro. Queria ver como meu corpo estava reagindo. E assim foi feito. No meu ciclo natural, sem nenhuma indução, tinha uns 6 folículos que necessitaram de medicamento para romper e ovular, mas não resultou em gravidez. Testamos, então, o indutor injetável. Para minha surpresa e do médico tinha apenas um óvulo e o endométrio permanecia fino. Deu tudo errado. Mas como meu estado de espírito estava super em alta, tomei aquilo apenas como um dado.

A lição que tinha aprendido era que quando fosse a hora da fertilização in vitro, eu precisaria de outro indutor. Aquele dia, fui embora do consultório com uma frase na cabeça: ‘Nada deu certo dessa vez. Vamos aguardar o próximo ciclo’. Mas eu não desanimei, pois, até então, meu intuito era me conhecer e ver o que poderia dar certo. E dentro desta perspectiva eu estava conseguindo. Chegou o dia de fazer o beta… mesmo com tudo dando errado, eu tinha saído com as requisições de beta e as datas para realizar o exame. Liguei o piloto automático e fiz. Estava tão habituada a fazer beta que aquele seria apenas mais um exame.

Abri o resultado no meio de uma reunião chata e, para minha surpresa, eu estava gravidíssima. Sim, eu precisava de apenas um óvulo. Hoje esse ‘óvulo’ se chama Bento e é um menino maravilhoso. Achei meu neném. Esse blog foi tão importante na minha caminhada que eu precisava partilhar esse final feliz com vocês”.

Isaura Andrade Aguiar, 38 anos, mãe do Bento, de 7 meses


Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *