Gravidez na menopausa e as angústias nossas de cada dia

Hoje fui dar uma olhadinha na audiência do site – coisa que faço pouco, confesso, pois acabo medindo as reações de vocês intuitivamente, pelos comentários, e-mails e curtidas no Facebook – e fiquei muito surpresa ao ver que o post mais lido do último mês é um que escrevi há mais um ano, sobre gravidez na menopausa. (Se não leu, leia aqui)

Isso me fez pensar sobre o quanto a menopausa tem chegado mais cedo para nós e o quanto, ao mesmo tempo, estamos nos empoderando com informações para tentar vencer essa barreira da natureza – o relógio biológico que põe uma data limite para a gravidez. Eu mesma fui diagnosticada aos 32 anos com possibilidade de menopausa precoce devido a minha baixa reserva ovariana (entenda) e me desesperei com a possibilidade de não conseguir engravidar. Só depois é que fui me informar melhor a respeito.

Ainda não é fácil. A própria Ivete Sangalo contou da dificuldade que foi engravidar aos 45 – embora ela não tenha contado se está na menopausa, essa é uma idade em que muitas mulheres já estão. Mas agora (ufa!) estão saindo cada vez mais estudos que possibilitam a gravidez na menopausa. É disso que quero falar hoje.

 

Novas possibilidades para gravidez na menopausa

Essa notícia da revista New Scientific (leia aqui o original, em inglês) fala sobre um novo tratamento criado pelo ginecologista especialista em infertilidade humana Kostantinos Sfakianoudis e seus colegas da Genesis Athens Clinic, na Grécia.

O tratamento funciona assim: os médicos tiram o sangue das pacientes e passam por uma espécie de centrífuga. Lá, isola-se a parte do plasma rica em plaquetas. Ali, existe uma alta concentração de fragmentos celulares envolvidos na coagulação do sangue. É injetando esses fragmentos diretamente nos ovários e no útero dessas mulheres que os médicos conseguem “rejuvenescer” o sistema reprodutivo delas.

Até agora, mais de 180 mulheres receberam o tratamento, algumas porque tinham um distúrbio que danificava o revestimento do útero. Mas 27 delas estavam na menopausa e na pré-menopausa, com idades entre 34 e 51 anos. Atualmente, o dr. Sfakianoudis sabe de duas que, após tratamento de fertilização in vitro, conseguiram engravidar. É claro que mais testes são necessários e até um entendimento sobre como age o tratamento no corpo da mulher. “Uma teoria é que o plasma desperta células-tronco no ovário, estimulando-as a produzir mais óvulos. Mas os cientistas estão atualmente debatendo se tais células-tronco ainda existem”, diz o estudo.

Outra hipótese vem do Hospital Universitário de Copenhagen, na Dinamarca. “Simplesmente enfiar uma agulha em um ovário pode ter um efeito, pois isso pode alterar a forma dos vasos sanguíneos que o sustentam, o que pode fazer com que os folículos isolados do ovo recebam um suprimento de sangue pela primeira vez, permitindo que soltem os ovos”, explica à revista o pesquisador Claus Yding Andersen.

De qualquer forma, todo estudo sério, retratado por uma publicação séria, merece nossa atenção. E traz uma nova dose de esperança, né? Principalmente porque todos os médicos consultados pela New Scientific foram unânimes: mesmo quando a menopausa começa, ainda restam alguns folículos nos ovários, então há uma pequena chance de que as mulheres ainda possam viver a gravidez na menopausa.

 

 

Foto: Flickr/ osseous


Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *