Exame Cariótipo Banda G: o que é? Para que serve?

Quando a gente começa a investigar as razões de uma gravidez que não chega, um dos exames pedidos pelos médicos especialistas em reprodução é o Cariótipo Banda G. Nome estranho, exame simples, análise complexa.

Eu tinha ideia de que era uma análise de cromossomos de buscas rasas no Google (dica: nunca confiem em qualquer site, apenas em quem tem fontes de confiança), mas não sabia exatamente do que se tratava.

Recentemente, algumas leitoras me escreveram falando sobre esse tal exame Cariótipo Banda G e eu fiquei curiosa, então fui conversar com a doutora Cláudia Navarro, especialista em reprodução assistida, para saber mais.

De cara, vou esclarecer duas coisas bem importantes: é um simples exame de sangue e, ótima notícia, costuma ter cobertura nos planos de saúde, pois faz parte do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde (ANS). Agora, vamos à entrevista:

Cadê Meu Neném: Por que o Cariótipo Banda G faz parte dos exames que identificam infertilidade?

Dra. Claudia Navarro: O cariótipo é a avaliação do conjunto de cromossomos das células somáticas, que possuem quantidade e estrutura específica. Este exame é usado para diagnosticar alterações nestas estruturas, que podem indicar o motivo de uma dificuldade para engravidar ou explicar por que a mulher vem sofrendo com abortos de repetição, por exemplo. 

Cadê Meu Neném: O que esse exame pode detectar?

Dra. Claudia Navarro: Ele pode identificar as alterações cromossômicas numéricas e as estruturais. Ou seja, quando falta ou sobra determinado cromossomo e também se falta ou sobra alguma parte de um cromossomo. Ou mesmo quando há o que chamamos de translocação, que seria a troca de partes de cromossomos entre si. Algumas destas alterações podem indicar a dificuldade para engravidar ou manter a gestação.

Cadê Meu Neném: Quais problemas podem ser identificados no Cariótipo Banda G?

Dra. Claudia Navarro: Especialmente os mosaicismos das células gaméticas, em que o indivíduo apresenta dois materiais genéticos distintos (tanto nos óvulos quanto nos espermatozoides) e isso pode afetar o embrião, as translocações, que são arranjos irregulares dos cromossomos que podem terminar em abortos espontâneos (ou a criança pode nascer com alguma deficiência de aprendizagem, embora, em alguns casos, possa ocorrer um nascimento saudável). Por fim, as aneuploidias, que ocorrem quando há alteração na cópia cromossômica (trissomias ou monossomias). No caso da mulher, a aneuploidia em gametas femininos leva à infertilidade, abortos espontâneos ou deficiência no bebê. A trissomia do cromossoma 21, ou Síndrome de Down, é uma das mais conhecidas. 

Cadê Meu Neném: São problemas que têm cura? Qual seria o tratamento pra eles?

Dra. Claudia Navarro: Quando existem problemas cromossômicos, uma das saídas para quem está tentando engravidar é realizar a FIV com o material genético do casal e utilizar, antes da transferência do embrião, o teste genético pré-implantacional. Com o diagnóstico, os embriões que carregam as alterações podem ser identificados. A partir daí, somente aqueles livres da alteração são transferidos para o útero, aumentando a chance de que a gestação evolua normalmente. Em casos em que isso não é possível, o casal pode optar pela utilização de material genético de terceiros e realizar a FIV. A avaliação e orientação por parte de um médico geneticista é fundamental nestes casos. Mas vale destacar que os tratamentos são sempre individualizados e que será diferente para cada paciente. É muito importante procurar um especialista para que a situação seja avaliada. 

Foto: Flickt/ Hey Paul Studios


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