“Nestes anos que se passaram, todas as amigas e familiares engravidaram. Ficava feliz por elas e ao mesmo tempo esperava o meu momento”

“Eu me casei com 26 anos e, na mesma época, me formei. Estava com a vida profissional bem agitada: advogava e era professora na faculdade de Direito. As coisas foram acontecendo e não tinha um sonho de casar e ter filhos, mas quando conheci o meu marido tive a certeza de que constituiria uma família. Aos 28 anos, não sei o que houve, mas senti que era hora de ter um filho. Após um ano de tentativas, nada de engravidar.

Busquei um especialista, que na época iniciou um tratamento com hormônios. Fiz vários tratamentos e exames, e nada da tão sonhada gravidez. Mudei de médico. O novo me sugeriu uma cirurgia para análise do problema, pois meus exames eram todos normais. Fiz uma laparoscopia e foi diagnosticada a endometriose. Meu marido também fez vários exames e vimos que ele tinha um percentual muito grande de espermatozoides mortos ou lentos, o que impedia a fecundação. Neste momento eu já estava com 31 anos.

Eu era sócia de um grande escritório há alguns anos e a vida profissional corria de forma maravilhosa. Foi quando decidi pedir meu desligamento para me dedicar ao tratamento, uma vez que a atividade exigia muito e era estressante. Passei um ano em casa e neste período fiz todos os tratamentos possíveis. Nenhum deu resultado.

Comprei um escritório em andamento e retomei meu trabalho, desta vez junto com meu marido. No quesito tratamentos e exames, as doses hormonais eram cada vez mais altas e os exames, mais complexos e invasivos. Nestes anos que se passaram, todas as amigas e familiares engravidaram. Ficava feliz por elas e ao mesmo tempo esperava o meu momento. Acabei ficando triste, depressiva, e por vezes me senti uma árvore seca. Era um vazio imenso que assolava meu coração. Não havia momentos de felicidade: eu só pensava nisto. Meu marido até pediu para vivermos só nos dois, como forma de reduzir a pressão sobre o assunto. Para não ficar ainda mais triste, enquanto tentava engravidar eu olhava para o que eu tinha: uma profissão que me realizava, um marido que não deixou o que havia entre nós se perder, pais e irmã que me davam muita força…

Foi quando, entre um tratamento e outro, aos 34 anos, passei mal, fui ao médico e estava grávida. Descobri quando já estava com 13 semanas porque não senti nada antes. Tudo correu muito bem. Quando meu o Rafael nasceu, com 4 kg, o vazio se encheu de alegria e a vida se transformou. Consegui me realizar como mãe e me sentir completa. Minha maior alegria era ir passear com ele no carrinho: parecia que carregava um troféu. Quando o Rafael estava com 2 anos eu engravidei novamente, do Gabriel. E esse veio como uma grande surpresa”.

Rosiana, 39 anos


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