“Demorei seis anos para procurar um especialista, fiz inseminação intrauterina e não deu. Agora entramos no processo de adoção, mas não desisti de engravidar”

“Quando me casei, há quase 15 anos, escolhi um vestido azul-marinho todo bordado em dourado. Eu estava linda, parecia uma princesa medieval. Mas, por não ser branco, ele rendeu – e ainda rende – muitos comentários na família. Eles diziam que eu não era mais virgem e que tinha casado grávida. Quem me dera!

Meu relacionamento com meu marido começou quando me apaixonei à primeira vista por ele, e eu só tinha 15 anos de idade. Anos após o casamento, conquistei minha casa própria, finalizei a faculdade e estava empregada. Resolvi, então, tentar engravidar. Fui ao ginecologista e parei os contraceptivos no dia 16 de janeiro de 2010.

Nada aconteceu e, como os especialistas em reprodução custavam muito caro, acabei demorando seis anos para procurar um. Fiz muitos exames de sangue – a maioria hormonais –, pós-coito, ultrassom seriada para controle de ovulação… Acabe descobrindo um hipotireoidismo, mas passei a tomar um remédio e consegui controlar. Também descobri a prolactina alta, depois de sentir dor nos seios. Mais um remédio e deu tudo certo. Na histerossalpingografia, um exame que foi bem dolorido, tive o diagnóstico da trompa esquerda obstruída.

Meu marido fez o espermograma, onde constou boa quantidade, mas pouca qualidade de espermatozoides, pois só 3% tinham morfologia normal e ainda assim eram lentos. Com esse diagnóstico optei pela inseminação intrauterina, pois era a que mais se aproximava da forma natural de gravidez e também era a única que cabia no meu bolso. Tomei 5 injeções de hormônios antes, apanhamos a ovulação com ultrassom e no dia 1º de abril do ano passado, o procedimento foi feito. Dias depois, eu menstruei. O ciclo adiantou, pois eu tinha tomado as injeções de hormônios. Meu marido não quis tentar outra, pois a grana estava mais curta e tudo é bem caro.

Nunca tentei outros tipos de tratamento nem outra inseminação e não acredito em simpatias. Confio em Deus e peço que Ele me dê a família que deseja para nós, e não a que eu sonho.

A adoção sempre foi uma opção e agora, com toda a dor destas tentativas frustradas, decidimos partir para ela. Hoje tivemos nossa última entrevista com a psicóloga do Fórum. Agora é aguardar o andamento da papelada e esperar a definição do juiz. É uma gestação do coração!

Ainda não desisti de engravidar. Não tomo remédio e não usamos preservativos. Estamos na chuva. Quem sabe um dia eu me descubra grávida, mesmo depois que a minha criança chegar. O maior aprendizado nisso tudo é que o tempo de Deus nunca é igual ao nosso. Na hora Dele tudo vai acontecer.

Agradeço por vocês compartilharem suas histórias. É muito bom saber que há outras pessoas vivendo um momento parecida com o meu. Sejam felizes!”

 

Viviane Aparecida Perez Dionisio, 35 anos

 


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