“Demorei para engravidar e passei pela dor de enterrar meu primeiro bebê. Mas hoje tenho dois filhos lindos”

“Eu sempre sonhei ser mãe. Em 2009, com dois anos de casada, começamos a tentar engravidar, mas demorou cerca de quatro anos. Eu pensava que jamais conseguiria e parece que todos os lados para onde eu olhava eu via mulheres grávidas ou bebês… foi muito difícil! Não cheguei a fazer tratamentos e inseminações, mas tomei um remédio para regular a ovulação.

E então aconteceu! Foi a maior alegria da minha vida. A gravidez ia tranquila, até que com 24 semanas de gestação entrei em trabalho de parto. Fui internada no Hospital Santa Joana, em São Paulo, que é referência em UTI Neonatal, no dia 20 de novembro de 2012. Os médicos tentaram segurar a gestação por mais tempo, mas só pudemos esperar por quatro dias, já que cheguei com dilatação total do útero e corria risco de sofrer uma infecção. O Heitor nasceu na tarde do dia 24 de novembro, pesando apenas 705 gramas.

Ele estava indo bem, mas, na manhã do dia 1º de dezembro, os médicos tentaram fazer um procedimento para ajudar os rins dele a trabalhar. Foi quando descobriram fezes dentro da barriguinha. Provavelmente o intestino tinha sido perfurado. A soma disso com o problema dos rins foi demais pra ele, que acabou falecendo no dia seguinte. 

Nem preciso dizer que foi a pior coisa que já me aconteceu na vida. Foi tão difícil que pensei que não conseguiria suportar tamanha dor, mas sobrevivi. Mesmo assim, depois disso ficou um pouco mais fácil olhar as mulheres grávidas na rua, pois eu sabia que era possível engravidar.

Passados alguns meses, voltamos a tentar, mas não estávamos conseguindo. Então, além do medicamento para controlar a ovulação, também tomei um indutor da produção de óvulos. Em julho de 2013 engravidei do Samuel.

Como a médica desconfiou de que eu tinha Insuficiência Istmo-Cervical, porque eu tinha entrado em trabalho de parto muito cedo com o Heitor, ela ficou monitorando o colo do útero, sendo que no ultrassom realizado seis meses depois, descobrimos que meu colo já estava afinando, o que poderia gerar um segundo parto prematuro. Diante disso, ela recomendou repouso absoluto. Eu permanecia deitada o tempo todo, inclusive durante as refeições. Só me levantava para ir ao banheiro. Eu precisei pedir licença no trabalho, mas fiz home office, o que foi ótimo, pois me manteve ocupada. Aos poucos, fui retomando minhas atividades.

No dia 5 de março o filho do meu irmão nasceu e fui até o hospital para visitá-lo. Eu estava para completar 36 semanas de gestação. Aí, comecei a sair um pouco mais. No dia 12, comecei a desconfiar que o Samuel estava para chegar. E tinha razão: ele nasceu no dia seguinte, de parto cesárea porque o coração dele estava acelerado. Eu cheguei ao hospital com 7 centímetros de dilatação e sem qualquer dor. Essa é uma vantagem, eu tenho parto sem qualquer dor (risos). Ele nasceu pequeno, mas muito saudável e hoje está com 3 anos.

Quando o Samuel estava completando 1 ano, eu já estava grávida da Mariana, que nasceu no dia 27 de outubro de 2015, para completar a nossa alegria. A gestação dela foi bem diferente. Não tive qualquer problema, permaneci ativa até o final da gestação e ela nasceu de parto normal. Novamente não senti praticamente nenhuma dor.

Hoje vejo qe passei pelo sofrimento de não conseguir engravidar e pela dor quase insuportável de enterrar meu primeiro bebê, mas Deus foi bondoso comigo e me permitiu ter um lindo casal de filhos”.

 

Lidiane Meneses Souza, advogada, 39 anos, mãe do Samuel, 3 anos, e da Mariana, 2 anos.

 


6 thoughts on ““Demorei para engravidar e passei pela dor de enterrar meu primeiro bebê. Mas hoje tenho dois filhos lindos”

  1. Elis Regina Responder

    História linda de persistência, amor e gratidão de uma mulher guerreira e mãe amorosa!

  2. Letícia Rosa Salles Responder

    Emocionada! !!!
    Acompanhei um pouquinho desta história, pois colegas de trabalho. O falecimento do Heitor foi sentido por mim e por outras colegas, com uma tristeza indescritível.
    . A graça da chegada do Samuel e também da Mariana ( neste momento eu já não trabalhava mais com a Lidiane), cim imensa alegria!
    Essa Família é a prova do Deus Grande e Misericordioso.
    SEJAM FELIZES! !!

  3. Jose Responder

    A dor de perder alguem ja é dificil de superar, nesse caso mais ainda pq a mae ja estava a tempos por esperar pelo primogenito.

  4. Nilma Denise Navarro Msconi Responder

    Deus seja louvado sempre.
    Lembro qdo vc foi pregar no Continental, fazia pouco tempo que tinha perdido o seu bebê. Mas via em vc uma gde mãe, pois Deus iria cumprir suas promessas em sua vida. Louvo a Deus por esta história e família linda e abençoada por Deus. Bjs

  5. Marlene Responder

    Você é mais que abençoada!
    Deus sabe de todas as coisas.
    Nós que acompanhamos, sofremos contigo e alegramos contigo também!
    Parabéns bjs
    MARLENE, Kleisson e Breno!

  6. Eliana Responder

    Já passei pela dor da perda em 2011 eu perdi minha primeira filha com sete dias de vida (04/03/11 e faleceu em 11/03/11). É uma dor inexplicável más como acredito muito nos planos de Deus . Fui aos poucos superando, depois de sete meses engravidei novamente de um menino e hj ela está com cinco anos. E em 2014 eu engravidei pois tive um aborto espontâneo foi muito triste pois queria muito ter outro filho. Até que em 2016 engravidei novamente com três meses de gestação tive um pq sangramento , mas graças a Deus não era aborto e o meu outro príncipe está pra nascer agora dia 28/04 . Deus tem propósitos tão gde na nossa vida. Por isso entreguei tudo nas mãos deles pois ele sabe de tudo. Pois não cai folha de uma árvore sem a sua permissão.

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