“Não havia nada que impedisse a gravidez, mas ela simplesmente não acontecia. Talvez pela grande perda que sofremos”

“Sonhava em ser mãe desde criança. Quando conheci o Sergio, este sonho aumentou muito, pois ele também era louco para ser pai. Tanto que casamos em fevereiro de 2007 e eu já havia parado o anticoncepcional em janeiro! Em dezembro do mesmo ano engravidei. Foi uma alegria imensa. Durante a gestação, tive pressão alta e muito inchaço, porém a médica nunca valorizou estes probleminhas. No dia 09 de julho, fiz uma ecografia que apresentou um pouco do aumento do líquido amniótico e mais uma vez ela disse que era normal. No dia 23 de julho, comecei a ter muitas dores e a perder um pouco de líquido. Ainda de manhã fui à médica e ela disse que o bebê poderia estar entrando em sofrimento, e então o Gabriel nasceu de cesárea naquela mesma manhã, de 36 semanas.

Ele apresentava um problema respiratório, foi levado para a incubadora e colocado no oxigênio, mas, como não teve melhora, foi naquele mesmo dia pra UTI neonatal. Foi diagnosticado com hipertensão pulmonar, que só é detectada no nascimento e não tem uma causa específica. Havia relatos de bebês com o mesmo quadro e que melhoraram rápido, mas o Gabriel parecia não querer reagir e teve complicações. No dia 27 teve 3 paradas respiratórias e, na madrugada do dia 28, ele nos deixou. Foi e é até hoje uma perda irreparável e um sofrimento imenso! Mas precisávamos seguir em frente. E decidimos tentar mais uma vez para, enfim, poder pegar nosso bebê no colo, abraçar e beijá-lo.

Começamos, então, a procurar um outro médico que nos transmitisse confiança e mal sabíamos que estávamos começando a trilhar um longo caminho para engravidar. Alguns hormônios estavam desregulados devido a tudo o que passamos e precisei fazer uso de alguns medicamentos. Foram 3 longos, cansativos e estressantes anos de tratamento depois da nossa perda. Muitos hormônios, injeções, ecografias, uma videolaparoscopia que mostrou um pouco de aderência nas minhas trompas, duas inseminações… Não havia nada que impedisse a gravidez, mas ela simplesmente não acontecia. Talvez pela grande perda que sofremos.

Em julho de 2011, eu me sentia cansada emocionalmente e resolvi dar um tempo do projeto gravidez. Veio no dia 17 de outubro de 2011 a maravilhosa confirmação de que estava grávida. Sem tratamento, sem planejamento. Uma nova mistura de sentimentos tomou conta: alegria, gratidão, medo, ansiedade, apreensão. A gravidez da Gabriela foi totalmente diferente, sem inchaço, sem pressão alta, mas na ecografia de 34 semanas veio, a angústia: o tal aumento do líquido amniótico.

Com 37 semanas de gestação, ele voltou a aumentar e a pequena estava com o cordão enrolado no pescoço. Como estava flutuando por causa da grande quantidade de líquido – e não estava encaixada – corria o risco de a bolsa estourar, a pequena descer para encaixar e o cordão sufocá-la. Não queríamos correr nenhum risco novamente e marcamos a cesárea para o dia seguinte. Então, em 24 de maio de 2012, nossa princesa Gabriela veio nos tornar pais por completo. Temos vontade de ter mais um filho e já vamos começar a tentar novamente.

Uma coisa que aprendi é que por mais que seja revoltante escutar que tudo tem seu tempo, que as coisas acontecem quando têm que acontecer mesmo, que tem que relaxar e esquecer um pouco do projeto gravidez… no meu caso foi bem assim que as coisas aconteceram! Quando desisti de tudo e até mudei o plano de saúde, engravidei”.

 

Sandra, 38 anos


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