“Só quem passa pela vontade de ser mãe sabe o caminho árduo que seguimos. Aos 41 anos, continuo tentando, mas considero a adoção”

“É engraçado, mas desde criança, sempre falei para todos da vontade de ser mãe. Faz parte de mim. Então, desde que comecei a namorar meu marido, tento engravidar. Ai, como é difícil contar a nossa história. Eu estava com 23 anos e hoje tenho 41, mas ainda aguardo a chegada do bebê. É uma tarefa difícil.

Já aos 23 anos comecei a ter hemorragias e descobri um mioma no útero de 12 centímetros, equivalente em tamanho a uma gravidez de 6 meses. Passei o maior sufoco, com exames e mais exames. Para completar, os médicos não me davam nenhuma esperança. Diziam que eu teria que tirar o útero. Imagine uma mulher com um mioma, mas que se sente como se estivesse grávida. Era a coisa mais horrível: eu tinha que recolher meus sentimentos porque era apenas um mioma.

Aí desabei. Via a esperança indo embora aos poucos. Cheguei a procurar ajuda espiritual no Centro Bezerra de Menezes e passei por várias sessões de um tratamento, com direito a uma cirurgia espiritual.

Meu marido, na época namorado, me acompanhou em todas as consultas. Pensei em me separar e eu me perguntava: ‘o que ele quer comigo? Não posso nem dar um filho pra ele!’. Tentei, mas ele provou que me amava a todo momento. Até para tomar as injeções ele ficava ao meu lado.

Tomei durante seis meses um medicamento para diminuir o tamanho do mioma, e entrei em menopausa forçada. Mas não adiantou. Chegou a hora de fazer a cirurgia e tive que assinar uma documentação no hospital mostrando que estava consciente sobre a retirada do meu útero. Detalhe: fiquei no andar das grávidas no hospital e ao sair da cirurgia me deparei com duas mães que tinham acabado de ter seus bebês. Foi horrível!

A cirurgia não foi fácil: eu tive hemorragia e precisei receber sangue. Meu marido, que nem sabia se tinha dado certo, chegou para me visitar com flores. Esta foi a maior prova de amor que já tive na minha vida. E qual não foi minha surpresa quando acordei da cirurgia e perguntei ao médico: ‘E o meu útero?’. A resposta foi que ele não tinha precisado retirar! Foi a maior felicidade, nos abraçamos e choramos aliviados.

Nos casamos. Quando completei 33 anos, descobri que minhas trompas são obstruídas e só conseguiria engravidar com fertilização. Mas os médicos ficaram impressionados com o meu útero, de tão certo que a cirurgia deu. Só que a fertilização in vitro (FIV) fica muito cara pra mim e pro meu marido, e até hoje não conseguimos fazer.

Hoje vejo que quanto mais velha eu fico, mais tenho forças pra amenizar a dor de não ser mãe. Tem vezes que desistimos, até. Mas de repente sei lá o que acontece e a vontade renasce. Ela fica indo e voltando. A todo momento as pessoas nos cobram um filho, a sociedade é assim. E muitas vezes me senti uma inútil por não gerar um filho. Eu nunca me importei com o sexo, só queria que viesse com saúde…

Neste meio tempo, minhas duas cunhadas engravidaram. Cada uma de TRÊS filhos. Cuidei dos meus sobrinhos durante um tempo. Adorei ver a minha casa cheia de vida. Depois, vi a minha irmã mais velha engravidar e todas as minhas primas também. E me perguntei: ‘Por que eu não sou mãe? Devo ter feito algo muito errado, mas o quê?’.

Vi seus filhos crescerem e ainda estou aqui, nunca tomei anticoncepcional e, mesmo assim, nada de engravidar. O maior sonho do meu marido é ter um filho com as nossas características, sempre imaginamos como ele seria. Na hora de dormir, sentimos um vazio na nossa cama e as vezes comentamos: ‘já pensou um bebê, aqui no meio de nós?’. É triste não poder ser mãe, não gerar um filho. Quero sentir e ver a minha barriga crescer.

Faz mais de 15 anos que estou com meu marido e continuo pensando que ele é maravilhoso e que quero tanto dar esta felicidade para nós dois. Então, comecei a pensar em outros caminhos. Um dia, uma mulher me procurou e quis me dar seu neto, mas como ela estava acompanhada de uma assistente social, no hospital, não pude ficar com este bebê. Só que ele abriu os nossos olhos e pensamos em nos inscrever no cadastro nacional de adoção, algo que nunca havia passado pela nossa cabeça.

No momento, estamos desempregados e resolvemos esperar passar este sufoco, mas depois vamos atrás. Foi muito difícil escrever minha história e não derrubar uma lágrima. Só quem passa pela vontade de ser mãe sabe o caminho árduo que seguimos. Um sentimento muito além da alma”.

 

Ana Paula Palos, 41 anos


3 thoughts on ““Só quem passa pela vontade de ser mãe sabe o caminho árduo que seguimos. Aos 41 anos, continuo tentando, mas considero a adoção”

  1. Marcia Barbosa Dias Responder

    Ao ler seu post, me vi na sua história
    Sentir sua dor qndo escrevia cada palavra.
    meu sonho era de ser mãe aos 20,e meus 20 passou, 25 e agora 32.
    Descobrir ha uns 2 anos mais ou menos q tenho as trompas obstruida,uma total e uma com pouca passagem.
    ha! Tenho mioma tbém mas eles não impede em nada.
    e estou em busca desse sonho tbém
    Minhas primas,amigas hj são mães e eu apenas participo dos cha de bebe dela. 😞

  2. Mariana Responder

    Oi minha querida! Como está? Conseguiu ter seu bebê?

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Mari, tudo bem? A Ana Paula ainda não deu notícias. Acho que continua nas tentativas e estou na torcida por ela <3

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