Meu primeiro dia das mães – não é o que vocês estão pensando

“Datas podem ser difíceis. Ainda mais difíceis quando sua companhia é a ausência”. Li essa frase navegando pela web e pensei no quanto ela pode ser verdadeira para vocês hoje. E no quanto ela foi a tradução do que eu senti no Dia das Mães, por anos. Sete, para ser mais exata. Não me entendam mal. Não era falta de gratidão: sei bem o privilégio que é ter uma mãe saudável e carinhosa para celebrar a data juntas, e ainda fui premiada com uma madrinha e uma avó imensamente presentes na minha vida, uma sogra que é uma mãe e tias que torcem por mim como por uma filha. Mas tinha um buraquinho ali, no útero, no coração, na mente, na alma. Era um bebê pelo qual eu esperava ansiosamente todos os meses e que a natureza insistia em me avisar que ainda não era a hora.

MAS, ENTÃO, QUANDO??? QUANDO SERÁ A HORA? ESSA HORA VAI EXISTIR? Eram perguntas que eu me fazia chorando no banho, no colo da minha mãe, nos braços do meu marido, nas conversas à noite em torno de uma cervejinha com meu pai, no Facebook com algumas amigas… e perguntas que eu preferia não fazer para tantas outras pessoas que eu amo, porque eu não queria ver aquela tristeza nos olhos delas.

Apenas aceitava aquela oração discreta feita sempre no dia das mães, viu, vó? Que tinha todo o cuidado de não me colocar no centro das atenções, mas deixava claro que a oração tinha um pedido implícito. Aceitava aquela mensagem despretensiosa de bom dia da minha madrinha no Whatsapp nos dias em que estava mais triste. Aceitava aquela rosa no Dia das Mães porque eu sou a “mãe do Bolota”, né, Su? Ou aquele abraço apertado da minha sogra e das cunhadas no almoço de domingo. Sabia que todas essas provas de amor respeitavam minha dor de não querer falar no assunto naquele dia. E em vários outros também.

Foi difícil pra mim e sei que para todos eles foi também. Eles, que queriam me perguntar sobre novos tratamentos, mas preferiam não me machucar tocando no assunto. Algo bem difícil em uma família acostumada a dividir todas as dores e delícias de viver, como a minha. Mas era desse acolhimento que eu precisava. E sou muito, muito grata por isso.

Nesse dia das mães, tenho ainda mais motivos para ser grata. Porque a minha hora chegou. A nossa hora chegou, meu amor. Rezamos tanto até que “cansamos” de rezar. Pedimos tanto, choramos tanto. Mas ela chegou. Minha alma já estava preparada para ser mãe há muito tempo. Agora meu corpo também está.

O que eu quero com esse post aqui no Cadê Meu Neném?? Dizer que, olhando para trás, mesmo nos momentos mais duros, sempre tive razões para agradecer, embora fosse muito difícil enxergar as coisas por essa ótica. Então, minhas humildes sugestões para vocês no dia de hoje são: Que tal se separar alguns minutinhos da sua dor e agradecer pelas coisas lindas que continuam acontecendo na sua vida? Que tal aceitar a raiva, a tristeza e a sensação de injustiça (elas existem, somos humanas, pô!) e mandar para aquele lugar toda e qualquer pessoa que venha com o papo “é só desencanar que você engravida”. Afinal… (olhe a imagem que abre o post).

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