Querido diário,
hoje eu estou com um grande aperto no coração: as duas notícias mais faladas do dia são sobre dois pais que mataram seus filhos. Eu não consigo imaginar que momento de tristeza profunda e desespero leva um pai a cometer um ato tão horrível. Tão horrível que ambos, na sequência, se mataram também.
Se para qualquer ser humano este tipo de notícia choca e machuca, preciso confessar que me dá enjoo. Fisicamente mesmo.
Minha vontade infantil (ou primitiva?) era dizer para estas pessoas: dá pra mim que eu cuido! É óbvio que o buraco é bem mais embaixo e que este tipo de atitude pode soar para você como egoísmo. Mas ele também é bem verdadeiro. Dá pra mim! Eu cuido, eu nino, eu embalo, eu sustento, eu coloco pra dormir…
Minha cabeça fica mesmo dividida entre a compaixão por estes pais e a sensação de que existe uma certa inversão de valores na sociedade e eles são apenas reflexo disso: o dinheiro é tão importante, mas tão importante, que quando ele acaba, mesmo que momentaneamente, a vida perde o valor.
Hoje acabei lendo um artigo que defendia que o ato deles pode ser também um reflexo do machismo nosso de cada dia, que dá ao homem a sensação de que a mulher e os filhos são sua posse, e por isso ele precisa mantê-los e tem poder de vida e morte sobre eles. Eu, confesso, fico tão perturbada com tanta tristeza que não consigo formar nenhuma opinião…
*Para ler a íntegra do Diário da Minha Não-Gravidez, clique aqui.
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