Será que foi a decisão certa?

Essa semana recebi um e-mail angustiado de uma leitora. Me emociono de ver a abertura que vocês sentem para conversar comigo e sempre respondo todos os e-mails e comentários – mesmo que leve algumas semanas hehehe – mas esse me deixou refletindo há alguns dias. Ainda nem te respondi, leitora, porque tem tanta coisa que quero te dizer que esta resposta acabou virando um post.

Você me disse que ser mãe não era um sonho de infância e que só começou a pensar em engravidar com 30 anos por conta da idade. O cenário era complicado: falta de grana, distância física do marido, que morava em outra cidade, um episódio de desarmonia familiar… mas mesmo assim você sentiu que se não fosse agora não seria nunca. E aconteceu o que você temia: a gravidez não veio e o casamento estremeceu. Prudente, você recomeçou a pílula porque ter um bebê naquele momento não seria o ideal. E o divórcio veio.

O tempo passou, você se apaixonou novamente e o relacionamento se aprofundou antes que você imaginava. Ele te apresentou para a família, falou sobre filhos e… você voltou a tentar, imaginando que dessa vez aconteceria. “É só esperar uns 3 meses para meu corpo se livrar dos hormônios da pílula”, você pensou. Mais uma vez os planos que você fez para a vida não foram os mesmos que a vida fez para você e hoje, aos 36 anos, angustiada com o bendito relógio biológico, você foi a um novo médico.

Com a sensibilidade do Shrek, ele te deu “uma bronca” por ter tentado naturalmente por alguns meses antes de fazer exames, “na tua idade”. Agora, você está inundada de culpa porque não deveria ter esperado tanto. Será que não deveria mesmo? Será que ir contra o que o seu coração dizia diante de tudo o que você viveu (vamos combinar, enfrentar um divórcio não deve ser nada fácil) seria a melhor atitude?

Você também me disse que quando uma amiga engravidou você optou por se afastar dela porque acompanhar aquela gestação te faria sofrer. Agora você sente culpa. Mas será que se forçar e calar seus sentimentos para agradar sua amiga seria mesmo a melhor atitude?

O que eu quero dizer com isso? Que a vida da gente não é linear. Que é comum olharmos pra trás e acharmos que tomamos a decisão errada. Mas, como costuma dizer meu marido parafraseando alguém que não lembro quem é, mas devia ser um sábio: a sabedoria é um farol que ilumina para trás.

Ou seja: olhar para trás e achar que agimos errado é fácil. Sentir culpa é ~fácil~. Difícil é tomar decisões com as informações que temos no momento. Nem uma a mais, nem uma a menos. E digo mais: olhe para trás, para as grandes decisões que você já tomou na vida. Uma a uma. E responda: foi a decisão acertada? Quando a resposta é sim, claramente sentimos um conforto no coração porque nós queremos só acertar. Mas quando a resposta é não, podemos também olhar de uma forma positiva: significa que evoluímos e faríamos diferente hoje. Com as informações que temos em mãos hoje. E isso não invalida as decisões de ontem, apenas mostra que mudamos.

Afinal, como diz uma música que adoro do Pato Fu, “das brigas que ganhei nem um troféu como lembrança pra casa eu levei. Das brigas que perdi… essas, sim, eu nunca esqueci”. Não pense, porém, querida leitora, que para mim é fácil essa lição. Mas ela faz parte de um grande esforço para eu cumprir minha meta pessoal de 2019 (ainda dá tempo!): uma vida com menos culpa.

Acredite nos mistérios do universo e sua história vai se resolver. Quanto mais leve estiver seu coração nesse momento, melhor. E, como sempre, fique com minhas energias positivas e conte com meu ombro nos dias mais difíceis.


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