“É ilusão pensar que decidimos nosso destino. Mas milagres existem e esse é meu novo depoimento”

Gente, estou arrepiada de transcrever essas palavras hoje, porque a Fernanda deu esse depoimento aqui para o Cadê há dois anos, quando nem eu nem ela tínhamos realizado nosso sonho de maternidade. Ela nem sabe, mas uma frase que escreveu nos conectou fortemente: “resolvi ser feliz com ou sem filhos. Quero seguir a minha vida em paz, sem obsessões e ser feliz com o que eu tenho. Ainda não sei se isso é possível, mas vou tentar”. Me tocou profundamente porque eu também chegava a essa conclusão – sem nem desconfiar que meses depois conseguiria engravidar.

E a vida, essa marota, logo deu esse presente para a Fernanda também. Ela não demorou a me escrever: “Foi tudo tão lindo e mágico que nem conseguia acreditar. Fiz questão de voltar e contar o restante da minha história para você”. Vejam que especial esse depoimento:

“Há dois anos conheci o site Cadê meu Neném?, criado pela nossa querida Priscilla Portugal. Naquela época, tinha acabado de passar por um aborto espontâneo e já partia para a 3ª FIV. Estava extremamente fragilizada, triste e sem rumo, mas tive a oportunidade de dividir minha história com outras mulheres. Me fez sentir melhor poder falar sobre o assunto e também saber que eu não era a única que batalhava pelo sonho de ser mãe.

Segui meu caminho com a dúvida sobre insistir ou não nesse sonho, pois envolvia tantos sentimentos… tinha o medo de não dar certo e, ao mesmo tempo, de me arrepender por não insistir um pouco mais, tinha o desgaste psicológico e a questão financeira… Sempre me questionava qual era meu limite.

Em 2018, resolvi que era hora de dar uma sacudida na minha vida. Vendi uma empresa que tinha, foquei na minha carreira e deixei de lado aquele sonho de ser mãe. Tirei um mês de férias com o meu marido e no meio da viagem, por acaso, li um post da Priscilla dizendo que tinha conseguido o tão sonhado positivo e que finalmente estava grávida. No relato dela, uma informação me chamou atenção: ela havia consultado um médico imunologista que fez toda diferença no processo. Aquilo ficou na minha cabeça por semanas.

Quando voltamos de viagem, mostrei ao meu marido o post e perguntei o que ele achava de consultarmos o tal médico para tentar um novo caminho. Ele topou na hora, pois nunca desistiu do sonho de ser pai. Por ele, tentaríamos a cada ciclo menstrual, mas ele sempre respeitou os meus sentimentos. Fomos ao mesmo médico* e ele nos pediu diversos exames que nunca havíamos feito. Surgiu aí uma esperança e aquele sonho que eu havia guardado lá no fundo da gaveta veio com força total.

Então, pensei comigo, ‘vou apostar tudo em uma nova tentativa e se não der certo esse será meu limite’. Queria esgotar todas as tentativas e teria que entender que, se não acontecesse comigo, não era para ser. Ao menos não carregaria o peso da culpa de não ter tentado.

Minha estratégia foi a seguinte: mudei de especialista em reprodução humana, fiz acupuntura, fui à nutricionista, comecei a fazer exercícios físicos com mais dedicação, não ingeria bebida alcoólica, fiz ioga e meditação. Sem contar as promessas para todos os santos possíveis…ufa! Lembro que foi bem cansativo.

Fizemos uma nova tentativa em agosto do ano passado e conseguimos implantar 2 embriões. O médico me falou que havia um terceiro no laboratório para observação.  Alguns dias depois, ele me ligou dizendo que aquele embrião voltou a se desenvolver. Esta seria a primeira vez que sobrava um embrião para congelar. Chegou o dia do resultado do Beta HCG e… deu negativo. Mais uma vez fiquei mergulhada em uma tristeza profunda. Me recuperei e falei para meu marido: vamos tentar novamente com o embrião congelado. Juntei forças sei lá de onde e lá estávamos mais uma vez no consultório.

Ele nos alertou que havia casos de descongelamento em que os embriões apresentavam problemas e isso inviabilizava a implantação. Só que o embrião estava maravilhoso e foi implantado no dia 5 de novembro. Desta vez, resolvi seguir desapegada de tudo. Larguei todas as estratégias contadas anteriormente e me senti aliviada, pois vi que tudo aquilo me trouxe mais pressão e ansiedade. Lancei para o universo.

Dez dias depois fiz o Beta HCG e lá estava: ‘Positivo’. Nem acreditamos! Foi um misto de medo e felicidade. Liguei para o médico para ter certeza de que estava correto o resultado e nem ele acreditava.

Na sexta semana de gestação, dias antes do Natal, tive um grande sangramento e fui para o pronto-socorro. Pensei que havia perdido o bebê. Mas no ultrassom o batimento cardíaco do bebê estava mais forte que a bateria de uma escola de samba.

A gestação foi evoluindo, mas todo mês ia para o hospital com sangramento, por conta de um descolamento de placenta e das injeções de anticoagulante que tomava diariamente. A medicação era necessária por conta do diagnóstico de trombofilia. Mas, depois do sexto mês, tudo se normalizou e entendi que, se tinha chegado até aquela etapa, mais nada iria acabar com meu sonho.

Tive muito apoio da minha família e dos meus amigos, rodeada de amor e energia boa. Meu marido foi maravilhoso e curtiu demais cada momento. No dia 01 de julho deste ano, vivi o momento mais lindo da minha vida: a bolsa estourou, senti contrações e fomos correndo para o hospital. E era exatamente isso que eu queria que acontecesse! Então, nasceu a Antonella, linda e fofa. Foi mágico escutar aquele choro e viver aquele momento.

Hoje vejo que tinha criado uma fantasia em relação à gestação. Afinal, não é só carregar aquela barriga linda: o nosso corpo sofre muitas alterações e isso nos limita a fazer tarefas simples. Também aprendi que a gente não tem o controle de nada nesta vida. É ilusão pensar que decidimos nosso destino. Mas, sim, milagres existem. Foi um milagre ter engravidado. Tinha ouvido de dois médicos a frase ‘vai tentando’ e isso tinha me deixado inconformada.

Sinceramente não sei como, mas deu certo. Prefiro acreditar que depois de um longo período de aprendizado chegou a minha vez de ser mãe. Olho para minha Antonella e sinto tanta paz que nem acredito que passamos por tantos obstáculos. Só tenho a agradecer a Deus e à Priscilla, pois conseguiu com o trabalho dela fazer a diferença na minha vida. E eu encerrei um capítulo e iniciei outro, como mãe da Antonella”.

Fernanda Kawashaki, 38 anos, mãe da Antonella, de 1 mês

*Leiam a entrevista com o dr. Ricardo clicando aqui.


2 thoughts on ““É ilusão pensar que decidimos nosso destino. Mas milagres existem e esse é meu novo depoimento”

  1. Natália Pérez Responder

    Lindo depoimento!!!!! Pri, dei meu depoimento à uns 2 anos tb… e hoje estou com meus geminhos de 8 meses que no depoimento disse que teria …. acredita? Vc foi muito importante em todo meu processo de infertilidade… ouvir outras pessoas dizendo que sentem as mesmas coisas que vc tinha vergonha de dizer que sentia até pra eu mesma ….agora que conseguimos realizar o sonho da maternidade temos a missão de continuarmos falando sobre o assunto… como vc mesma disse… é falando que deixa de ser tabu e trazer tanto sofrimento…. um beijo… continuarei sempre acompanhando o cadê!!!!

    1. Pri Portugal Responder

      Que lindo saber disso, Natália! <3 Volte sempre e indique o site, por favor. Bjinho

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