Você sabe o que faz uma doula de adoção?

Você sabe que existe uma profissional chamada doula de adoção? Eu confesso que não sabia. Como já contei aqui no diário, eu e meu marido somos habilitados para adoção e lembro que todo o processo – decidir que era isso mesmo que queríamos, buscar informações, correr atrás dos documentos, nos inscrever para fazer o curso no Fórum mais próximo da nossa casa, buscar atestado médico, grupo de apoio e, finalmente, preencher a temida ficha – foi muito difícil. Parecíamos estar caminhando no escuro. E olha que temos pessoas muito próximas que adotaram e que nos apoiaram muito e ajudaram com informações.

Ficava imaginando quem vai enfrentar todo esse processo e não conhece nenhuma família que se adotou… por onde começa? Como se informa? De onde vem o apoio? Por isso que esses dias fiquei encantada quando vi uma reportagem sobre a figura da doula de adoção. Pesquisei nas redes sociais até que consegui conversar com a Mariana Muradas que trabalha justamente com isso.

Mariana Muradas, doula de adoção

“Eu fui adotada e a Maíra, que idealizou o projeto comigo, é mãe via adoção. Quando nós duas estávamos no puerpério, embarcamos nessa”, me contou. Ela disse que o trabalho de doula de adoção existe em outros países do mundo e que nos Estados Unidos, inclusive, essa profissional acompanha até a mãe biológica que decide entregar o bebê.

Aqui no Brasil, ela me disse, a Justiça não permite esse trabalho, então ele acontece de maneira diferente. “O trabalho começa quando a gente ajuda as mães e pais interessados na adoção a elaborarem seus sentimentos e entenderem sua real motivação. É um suporte emocional e de curadoria de informações, exatamente como acontece no parto. Falamos sobre a parte burocrática de documentos e cursos e, principalmente, sobre a ansiedade que antecede a chegada dos filhos depois que a pessoa é habilitada e fica numa espécie de limbo. Depois que os filhos chegam, seguimos oferecendo esse suporte emocional, pois, apesar de não ter hormônios envolvidos, o puerpério é real para quem adota. É muito triste que as pessoas não validem isso. Por isso, o que queremos é acolher essas pessoas”, explicou.

O objetivo das doulas de adoção é amparar essa maternidade solitária e, quem sabe, diminuir até o número de devolução de crianças, que é triste demais, porém não podemos tapar o sol com a peneira: é real. “Existe muito tabu em torno do assunto e frequentemente a própria família do casal não é receptiva. Então queremos ser esse apoio”, conta.

A Mayra, mãe de Maria Vitoria, contratou o serviço da Mariana, e não se arrepende: “Ter uma doula significa ser vista, percebida e acolhida. Ter espaço para falar abertamente sobre seus sentimentos relacionados à grande transformação da maternidade. É sobre ser cuidada e se sentir amada quando você está se doando ao máximo para aprender a cuidar, educar e amar seu filho ao mesmo tempo que aprende a ser mãe. E quando a via de maternidade é a adoção precisamos também – e talvez até mais – de atenção, acolhimento e escuta sobre a maternidade que vem de uma hora pra outra, após um tempo de espera na fila que pode ser bastante angustiante e solitário”, diz.

Achei muito emocionante esse depoimento. Toda mãe PRECISA de acolhimento e as mães por adoção, por não carregarem um barrigão por aí, muitas vezes não recebem a atenção e os mimos que uma gestante recebe. É uma espera que normalmente dura mais que 40 semanas e uma chegada sempre inesperada, de um sexo que não apareceu no ultrassom e até uma idade que surpreende.

Fiquei curiosa para saber os valores e a Mari me explicou que o atendimento pode ser online ou presencial e o investimento varia de acordo com a necessidade de acompanhamento de cada família. Ela me deu uma estimativa entre R$1.500 e R$3.000, com 5 encontros em cada ciclo de doulagem. “Além do atendimento individual, realizamos mensalmente rodas de adoção em grupo em espaços de maternidade em São Paulo, como a Lumos Cultural”.

A Mari é educadora formada pelo Feldenkrais Institute of San Diego e doula de parto com o certificado desde 2014 pelo DONA International. Junto com a psicóloga Mayra Aiello, ela também dá um curso de formação de doulas de adoção. O próximo acontece entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro em São Paulo. Para mais informações, clique aqui.

E quem quiser entrar em contato com elas pode visitar o site aqui ou escrever para o Whatsapp da Mari: (11) 9 9349-8668.

Fotos: Flickr/Barney Moss e Divulgação


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