Algum momento em 2016

Querido diário, durante o processo de adoção, uma das etapas é uma conversa com uma psicóloga e a nossa foi um ser realmente iluminado.

Quando tive minha entrevista sozinha com ela – que me assustou, afinal, tínhamos tido uma entrevista como casal, já, e precisei voltar – desabei e fiquei supertensa, pensando que chorar durante a conversa pudesse me prejudicar. Ela me disse que era normal e, para que eu recuperasse o fôlego, pedi que ela contasse a sua história, pois ela já havia mencionado que tinha tido dificuldade para engravidar.

Devido a uma trombofilia, depois de vários tratamentos e duas perdas – tratadas de uma maneira bem cruel pelo médico dela, que sugeriu que era normal perder três bebês, no quarto daria certo – ela conseguiu engravidar, mas teve uma gestação preocupante, cheia de riscos e em repouso absoluto. No final, deu tudo certo, mas ela disse algo que mexeu demais comigo: “a minha gravidez não foi essa coisa mágica que você imagina. Não fiz chá de bebê e mal tenho fotos grávida. Foi cansativo ficar com as pernas para cima, mal podendo me mexer o tempo todo. Mas meus filhos estão aí, saudáveis. Preste atenção, Priscilla, a gravidez passa, os filhos ficam. E são eles que importam”.

Ela não faz ideia do quanto me fez bem dividindo sua dor e seu aprendizado comigo.

 

*Para ler a íntegra do Diário da Minha Não-Gravidez, clique aqui.

Se tem uma história parecida para me contar, me procure aqui.


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