“Tive duas perdas e uma gravidez anembrionária. Meu diagnóstico veio em um exame crossmatch e estou aqui para provar que tudo pode dar certo no final”

Eu, assim como a maioria das mulheres hoje em dia, dei preferência à minha carreira. Casei com 30 anos e quando completei dois anos de casada achei que era hora de engravidar.

Na minha inocência, achava que iria engravidar no primeiro mês sem pílula, mas logo percebi que comigo a coisa seria diferente. Meses foram se passando, comecei a fazer os testes de ovulação e mesmo assim nada acontecia. Um ano se passou e fui a uma ginecologista que me prescreveu um indutor de ovulação. Foi péssimo: além de não ter dado resultado, me rendeu um belo cisto no ovário que me atrapalhou uns bons meses.

Então, me consultei com um especialista em fertilidade e começamos com os coitos programados. Muita expectativa, sexo robotizado e… decepção mês após mês.

Nesse tempo fui pesquisando causas para a infertilidade, mas nenhum exame acusava nada. E eu nem sabia que existia o exame crossmatch. O que estava acontecendo?  Nem o médico sabia me responder. Resolvi, então, fazer uma inseminação artificial. E duas. E três. Nenhum resultado. Recebi o diagnóstico de ISCA (infertilidade sem causa aparente).

Parti para a FIV. Fiz a mini-FIV, que usa dosagens menores de hormônio e, por consequência, resulta em menos óvulos. Mas era o suficiente para o tratamento no meu caso. Transferi dois embriões e… tcharam! Exame positivo nove dias depois. Era a felicidade plena! Porém, a minha felicidade estava com os dias contados. Com sete semanas, em um ultrassom extra, que resolvi fazer por conta própria, vimos que o embrião estava parando de se desenvolver!

Foram mais três dias de angústia até a confirmação da morte do embrião, na véspera do Natal. Caí em depressão, emagreci sete quilos e achei que nunca mais me recuperaria.

Pesquisei a causa do aborto com um geneticista e, pra minha surpresa, a única alteração encontrada foi o exame crossmatch. O tratamento era simples: à base de vacinas feitas com o sangue do meu marido. O médico que fez a minha fertilização não acreditava nesse tratamento e deixou por minha escolha.

Resolvi, então, seguir os dois tratamentos juntos, fazendo as vacinas e a FIV juntas. Como não havia sobrado embriões congelados, teria que começar tudo de novo e lá fui eu. Acho que devido à depressão que ainda me assolava não respondi bem às medicações e consegui apenas um embrião. Não deu certo. Exame negativo.

Eu já tinha feito as três vacinas recomendadas e meu exame de crossmatch continuava indicando incompatibilidade. Nesse período, constatei também a endometriose, que até então não tinha aparecido em nenhum exame… mas agora estava lá. E meu sonho ia ficando cada vez mais distante.

Parti para a terceira FIV e dessa vez respondi bem às medicações: transferi dois embriões e um ficou congelado. Engravidei de novo, porém algo estava errado. Desde o início o médico me tirou as esperanças de uma gravidez normal pois o exame Beta Hcg estava baixo. Então, com seis semanas descobri ter uma gravidez anembrionária, quando só se forma o saco gestacional. Ou seja, sem embrião. E lá fui eu: mais uma curetagem pro currículo.

Nesse tempo resolvi investir nas vacinas e fiz mais duas. O exame positivou finalmente. Decidi transferir o embrião que tinha sobrado congelado. Era minha última esperança, pois estava tão cansada que daria um tempo nos tratamentos.

Para minha surpresa, oito dias depois, bem no fim de semana do dia dos pais recebi meu terceiro positivo! Um belo Beta Hcg. A felicidade foi contida, pois com tantas decepções anteriores a felicidade agora vinha com um pé atrás. Tudo parecia ir bem até que com sete semanas, acordei sangrando muito. Achei que meu sonho estava indo embora novamente, mas tive um descolamento do saco gestacional e precisei de repouso absoluto.

Enfim, deu tudo certo. O descolamento se resolveu, tive uma gravidez tranquila e aqui estou com meu Miguel, muito saudável e sorridente. Meu príncipe do gelo, como costumamos chamá-lo por ter sido um embrião congelado.

Não podemos perder as esperanças nunca! Eu acredito que venci na insistência mesmo. No total investi três anos, mais de R$100.000 em tratamentos. Foi muito choro e revolta, mas a vitória veio trazendo um gostinho especial. Sou uma pessoa diferente hoje, e estou aqui pra provar que, sim, tudo pode dar certo”.

 

Renata Moraes, 35 anos, mãe do Miguel, de 3 meses


31 thoughts on ““Tive duas perdas e uma gravidez anembrionária. Meu diagnóstico veio em um exame crossmatch e estou aqui para provar que tudo pode dar certo no final”

  1. Isa Responder

    Estou pesquisando sobre o crossmatch mas investigando soube que as vacinas foram proibidas. Quando e onde fez o tratamento com as vacinas? Acredita ter te ajudado?

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Isa, tudo bem? As vacinas foram proibidas, mas os médicos já encontram hoje em dia outras soluções para a incompatibilidade, como o Intralipid. Eu mesma estou fazendo, por isso sei te responder 🙂
      Obrigada pelo seu contato com o Cadê Meu Neném? e fique de olho que em breve vou entrevistar um especialista a respeito. Beijinho. Pri

    2. renata moraes Responder

      Oi Isa, na época que eu fiz as vacinas elas ja estavam proibidas mas aqui a clinica continuava fazendo pra quem ja tinha iniciado o tratamento… Eu acho que no meu caso deu certo por causa das vacinas…

  2. adrienne Responder

    Eu fiz o tratamento com as vacinas no Rio de Janeiro apos duas perdas, uma com sete semanas e outra com quase 3 meses. Foi em 2016, hoje estou com minha bebezinha de 3 meses, graças a esse tratamento.

    1. Pri Portugal Responder

      Que notícia linda, Adrienne! Fico muito feliz por vc e por ter vindo aqui ao Cadê dividir sua história. Beijinhos em você e na sua bebê.

    2. Cintya Responder

      Olá adrienne
      Em qual clinica vc fez o seu tratamento?
      Parabéns pela sua princesa

      1. Pri Portugal Responder

        oi, Cyntia, te convido a curtir a página facebook.com/cadeomeunenem. Lá a gente troca impressões e experiências e você certamente vai se sentir muito acolhida <3.

    3. Ela Responder

      Moro em Brasília e estou em busca de um médico que faça as vacinas. Se puderem me indicar em Brasília ou no Rio de Janeiro, agradeço imensamente! Já tive dois abortos e meu cross-match deu negativo. Porém o exame só foi realizado por minha insistência depois de ter lido vários depoimentos na internet, mas o diagnóstico passado pela geneticista, mesmo com o cross-match negativo, foi de que eu não tinha nada e deveria continuar tentando. Resumo: preciso de indicação de um médico que faça o tratamento em Brasília ou RJ.

      1. Pri Portugal Responder

        oi, Ela, tudo bem? Infelizmente as vacinas foram proibidas 🙁 O que acontece hoje é um tratamento com uma enzima aplicada de forma intravenosa, como eu fiz, chamada Intralipid. Geralmente os médicos de reprodução desaconselham, e quem aplica são os imunologistas, porém, se seu resultado foi negativo, talvez a questão não seja essa. Não sou médica, mas falo pela minha experiência, claro. Vc investigou tireoide e trombofilia? São causas comuns de aborto, viu? Eu mesma tenho trombofilia e faço tratamento. Quem sabe não é esse seu caminho? Fique bem. Bjinho, Pri

  3. Cintya Responder

    Estou com uma tristeza enorme no meu coração…meu crossmatch deu negativo, e soube que as vacinas foram proibidas pela anvisa.
    Tive 3 abortos todos no 1 trimestre a 4 anos venho sofrendo con isso.
    O geneticista que me acompanha disse q a solucao é a fiv mas nao tenho condições financeiras de fazer me falaram q o valor varia de 20 a 25 mil e ainda pode ser que a gravidez nao vá para frente

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Cintya, tudo bem? Aqui é a Pri Portugal, criadora do site. Eu também tenho crossmatch negativo e quem descobriu foi um imunologista, que me sugeriu aplicações na veia de intralipid. Vc já tentou? Ele veio para substituir a vacina 🙂 Espero ter te ajudado e que você se sinta acolhida aqui pelo Cadê Meu Neném? e se quiser, curta nossa página para manter contato: facebook.com/cadeomeunenem. Beijinho.

    2. Pri Portugal Responder

      Eu sinto muito, Cintya.Vc já se informou sobre o Intralipid intravenoso? Ele pode ser uma solução no lugar da vacina, tente com seu médico 🙂 e depois me conte.
      Bjinho

  4. Pri Responder

    Pri, tive um aborto retiro com 8 semanas e agora uma gravidez anembrionária com 5 semanas. Estou desnorteada ainda, sem saber por onde começar a procurar ajuda, não estou dando sorte nos médicos que passei. Qual especialista devo procurar? Qlq clinica faz, é um exame de sangue? Obg por compartilhar sua linda história e nos encher de esperança.

    1. Pri Portugal Responder

      Menina, eu sinto muito, posso imaginar a sua dor e espero que você se sinta acolhida pelo Cadê Meu Neném? Você não está sozinha, viu?
      Essa vacina que a Renata tomou infelizmente foi proibida pela Anvisa, mas hoje existe uma medicamento semelhante chamado Intralipid, que eu estou tomando, inclusive. Vc chegou a fazer exame de crossmatch com o seu marido? Vcs são incompatíves? É um exame de sangue. Beijinho e sinta-se abraçada, Pri Portugal

    2. Michelle Responder

      Eu fiz meu tratamento em 2014 com a Dra. Bianca Selva Figueiredo, no Rio de Janeiro. Correu tudo bem. Ótima profissional e muito conceituada aqui no Rio de Janeiro.

      1. Pri Portugal Responder

        Obrigada pela dica, Michelle 😉

  5. Monique Moreira Soares Responder

    Ola, boa noite!
    Me emocionei com a sua história. Estou há 3 anos na tentativa, mas até então só fiz o tratamento de indução da ovulação. Me indicaram um especialista que indica o crossmatch e também faz uso das vacinas. É verdade que estão proibidas pela ANVISA!? Tinha muitas esperanças de descobrir o meu problema a partir daí! O que me indicaria fazer!? Adorei seu blog e vou acompanhar sempre agora!
    Obrigada!
    Abs,
    Monique

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Monique, tudo bem? Bem-vinda ao Cadê <3. Te respondi lá no e-mail.
      Bjinho
      Pri Portugal

  6. Bibiana Responder

    Oi, acabei de ter o diagnósico de Cross Match negativo após 2 abortos..;. Alguma indicação de médico especialista nesta parte imunológica no RS? Obrigada, muito legal seu site, sorte pra nós.

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Bibiana, td bem? Não sei te falar, mas eu procuraria um imunologista mesmo. Meu médico é o dr Ricardo de Oliveira, da RDO, aqui em São Paulo. Dá uma ligadinha lá, quem sabe eles não te indicam alguém por aí? Bjinho e boa sorte.

      1. Bibiana Responder

        Obrigada querida, marquei uma consulta com a dra Tatiana Michelon, imunologista com especialidade em gestações aqui no RS. Depois eu conto. Bjss

        1. Pri Portugal Responder

          <3 fico feliz. Depois me conta. Bjinho

        2. Cassia Responder

          Olá, Bibiana, qual o telefone da dra Tatiana? Obrigado

          1. Pri Portugal

            Oi, Cassia, pelo que pesquisei, esse é o site dela: http://imunologiadareproduc.locaweb.com.br/qualimune/corpoclinico.asp 😉 boa sorte. Bjinho

  7. Cassia Responder

    Olá, muito obrigado. Mas, vou aguardar se a Bibiana consegue o telefone.
    Pesquisei neste site também e o telefone não existe, deve ser antigo.
    Bjos

    1. Pri Portugal Responder

      Ta legal. Encontrei o email dela e to perguntando. Te coloquei em cópia 😉
      bjinho

      1. Cassia Responder

        Muito obrigado!!! Bjoss

  8. Suely Fukugauchi Responder

    Prezada Pri, boa noite. Por favor, o seu último e vitorioso tratamento foi com o Dr Ricardo do RDO ?
    Obrigada

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Suely, bem-vinda ao Cadê Meu Neném? <3 Não sei onde a Renata, que deu esse depoimento, se tratou, mas eu, sim, me curei com o dr Ricardo :-) Minha história eu conto toda aqui: http://www.cademeunenem.com.br/diario-da-minha-nao-gravidez/
      Bjinho

  9. Sophia Responder

    Nossa, fico aliviada em saber que pode haver uma luz no fim do túnel. Ontem perdi minha segunda gestação esse ano. Estava com 7 semanas e tudo parecia correr bem, nem deu tempo de fazer a primeira ultra (que seria hoje), acabei fazendo no hospital após ter um sangramento, mas já era tarde demais… perdi o primeiro no início do ano e, desde então, estava morrendo de medo de engravidar. Em ambas as gravidezes, engravidei bem rápido (a primeira no segundo mês e a última no primeiro mês que tentamos). Mas ontem, após o pesadelo ter se repetido, entrei em contato com minha médica e ela falou sobre o Cross match. E agora lendo esse depoimento surgiu uma esperança, pois a gravidez comigo começa, mas não evolui. Meu maior medo é não conseguir engravidar, não posso nem pensar nessa possibilidade.

    1. Pri Portugal Responder

      oi, Sophia, bem-vinda ao Cadê, desejo que se sinta acolhida. Sim, o crossmatch foi uma das minhas luzes também, além da trombofilia. Vc já investigou? É outra causa comum de perda recorrente. Converse com sua médica a respeito. E dá uma olhadinha no post que fiz ontem sobre crossmatch 😉 Boa sorte. Bjinho

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